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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

O Futuro do Leite em Capítulos: Para onde vai o mercado

Desde a década de 80 o consumo de leite caiu 22% nos EUA, graças a invasão dos refrigerantes e outros produtos açucarados e hoje principalmente pelos leites vegetais e sucos  de frutas envasados  ditos naturais que, são muito nocivos. Um suco de fruta contem frutose (útil para fazer álcool, pinga ) que sem a fibra da fruta , tomado regularmente todo dia, torna o fígado gorduroso, esteatose  não alcoólica, podendo evoluir para hepatite e cirrose. Tudo em nome da saúde. O leite bombardeado pela industria, pelos médicos a serviço da industria, combatem aquele que é o único produto que ira suprir o cálcio para as pessoas pois, nosso corpo não fábrica cálcio.

No Brasil o consumo de leite ainda cresce, dependendo do crescimento do pais, sendo atualmente 1/3 dos EUA, país que já ingere 30% de leite vegetal, feito de um amontoado de subprodutos tipo cevada, coco, amêndoas, quinoa e  ervilha com a promessa de terem menos gordura e açucares que o leite de vaca. Mas todos sabemos que qualquer processo industrial de alimentos quando resolve um problema cria muitos outros que os consumidores só saberão daqui uns anos.

 A tabela abaixo significa que para cada ponto de crescimento no PIB da China, o consumo de leite  aumenta na ordem de 4.  A China consome hoje 57 lts per capita. Para atingir o consumo americano ela precisaria de mais 200 bilhões de litros ano, um potencial equivalente ao  da produção atual americana e 8 vezes maior que a produção brasileira.

Potencial de crescimento do consumo de leite por país.

É nestes mercados que os países exportadores de leite estão de olho e nós ignoramos graças a uma ajudinha de nossos laticínios a serviço dos países exportadores que tentam impedir que o Brasil se torne como na carne um país exportador e mais, o maior exportador mundial.

No Próximo Capítulo: O Futuro dos Pequenos Produtores

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Porque os preços do leite caem no final do ano?

1) Os produtores exclusivamente a pastos, sem nenhum concentrado, conhecidos como gigolôs de vacas que passam a seca produzindo quase nada, de repente, inundam o mercado com leite com as vacas turbinadas pelos verdes pastos;
2) Os Laticínios têm umas série de custos no final do ano como décimo terceiro salário, impostos e precisam equilibrar o orçamento e gerar resultados, às nossas custas claro;
3) Os varejistas e consumidores americanos preferem o leite HTST, que é envasado em galões de plásticos e dura uns 5 dias na geladeira. Os laticínios aqui, incutiram no consumidor brasileiro o hábito de preferir o UHT, que nem leite é mas, dura muito e permite a indústria estocar para vender na alta;
4) Os Laticínios aproveitam a baixa do leite do final do ano que eles mesmos inventam para produzir muito leite UHT para estocar e produzir derivados que serão vendidos na entre-safra, quando os produtores só a pasto praticamente param de produzir. Para os produtores que tentam produzir muito, a indústria paga na seca um sobrepreço, deixando os produtores felizes, incentivados e doidos para investir e produzir mais. E assim que a produção aumenta os preços caem e boatos são espalhados que é culpa do leite importado que, na verdade é importado o ano todo para que o Brasil nunca seja um exportador que perturbe o mercado da Europa, NZ, US e Canada. Preços estáveis e realistas poderiam transformar o Brasil no maior produtor mundial de leite rapidinho mas isto o mundo não quer;
5) Campanhas incessantes na mídia contra o leite de vaca fascinam e aliciam o mundo Fitness, os politicamente saudáveis, diminuindo ainda mais o consumo do produto e no final do ano as coisas pioram pois, a medida que o preço do leite sobe na seca os preços para o consumidor sobem muito nas prateleiras dos supermercados. O consumidor substitui o leite por outras bebidas menos saudáveis. Ironia do nosso mundo embalado por campanhas de marketing como as que transformaram o ovo em vilão e depois num dos alimentos mais saudáveis que existem. Mas  a China bebe muito pouco leite e é a esperança de todos exportadores e as terras do Brasil é a esperança dos Chineses produzirem aqui.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

A Quem Interessa a Crise do Leite

É preciso identificar os verdadeiros responsáveis pela crise do leite pois, do contrário não vale a pena insistir.
Mapa do Leite no Brasil Resumido
O Brasil produz 35 bilhões de litros de leite por ano e a capacidade de nossa industria é de apenas 24 bilhões.
Então o que é feito com os 10 bilhões que a industria não pode processar?
Estes 10 bilhões são produzidos por 1 milhão de pequenos produtores para consumo próprio, produção de doces, queijos etc. São os produtores informais mas que não entram diretamente no negocio do leite inspecionado.
Os outros 250 mil produtores produzem 70% da produção total nacional ou seja cerca de 25 bilhões de litros.
Sendo que, apenas 82 mil produtores produzem cerca de 77% do leite inspecionado.

Crescimento do Mercado e da Produção - O Efeito Sanfona
O mercado do leite no Brasil cresceu nos últimos anos a uma media de 5,5% ao ano enquanto o leite processado cresceu a uma média de 4,4% ao ano e certamente não é porque o produtor não quis.
Para mim é claramente limitações de processamento da industria de laticínios. E o pior, a maioria deles com capacidade de processamento em leite UHT ou em pó bastante limitadas quando não inexistentes.
Para muito deles o negócio é vender o leite captado no mercado spot, principalmente para industrias multinacionais com interesses em mercados do leite noutros países também e são elas que definem os preços e a hora de importar e importam. Mais de 1 bilhão de litros, usados para baixar os preços pagos ao produtor e talvez para suprir o leite em pó que não conseguem processar.
A Nova Zelândia, um pequeno pais que faz 14 bilhões de dólares anuais em divisas no mercado mundial e é do tamanho de Tocantins e produz a mesma quantidade de leite fiscalizada que é produzida no Brasil, ou seja 23 bilhões de litros. Como eu disse os outros 10 a 12 bilhões produzidos no Brasil,  são de propriedades que produzem 10 a 20 litros para auto consumo.
Com uma diferença, no Brasil a média de produção por vaca é de apenas 1.500 litros e na Nova Zelândia, 4.100.

O Gigante Adormecido e a Política Colonial
Basta uma estruturação do setor, incentivos, capacitação tecnológica e de investimentos ao produtor que eles irão facilmente dobrar a média de produção por vaca, alcançando assim 50 bilhões de litros/ano transformando o Brasil no segundo produtor mundial. Mais da metade da produção americana.
Mas não basta produzir mais, aliás é loucura se a industria também não dobrar sua capacidade de processamento.
Mas interesses obscuros continuam promovendo a importação de leite em pó, quando deveríamos estar exportando.
Nosso negócio do leite sofre do mesmo efeito sanfona que acometia e ainda acomete a pecuária de corte de muitos produtores. O boi engorda nas águas e emagrece ou ganha pouco peso na na seca.
Esta politica colonial se estabeleceu no leite, por industrias gigantes do leite e a falta de visão de governos anteriores num negócio que cresceu mais que qualquer outro na agroindústria . Enquanto o PIB Brasil decaia o leite continuava crescendo 5,5% ao ano.
E nosso produtor tecnológico responde rápido e tem a capacidade ilimitada de produzir mais pois o que não falta neste país é vaca. Mas assim que ele se entusiasma e aumenta a produção na seca, logo tem que pisar no freio pois nas primeiras chuvas os preços caem sem tréguas e o leite importado entra sem maiores explicações.

Basta Proibir Importações?
Ajuda mas não resolve tudo, mas é necessário cotas. Não podemos permitir que Uruguai exporte a vontade só porque o regime do ex-presidente comunista e amigo de Lula recebeu este prêmio as custas do produtor nacional.
Outro problema é que, produtores não tecnológicos, que dispondo de muita terra e que produzem quase nada na seca, quando chegam as águas, com ausência de cotas, despejam no mercado todo leite que conseguem produzir, jogando o preço para baixo por excesso de oferta e ausência de cotas.
Uma politica de cotas e de estabilidade mínima nos preços do leite é necessária, isto é facilmente calculado usando a referência histórica de preços. Define-se uma média que é paga no ano todo sem as flutuações que levam a euforia e ao desespero.

Agora, a quem interessa continuarmos limitados ao mercado interno e pior, importando? Só se for a Nova Zelândia e outros países exportadores.

Brasil: o Futuro Maior Exportador de Leite do Mundo

A Nova Zelândia exporta 97% do leite que produz, o Brasil exporta míseros 0,1%. Na verdade importa mais que exporta.

Olhando o gráfico abaixo, de 2017, percebe-se que o Brasil possui um custo de produção por litro um pouco superior ao da Nova Zelândia mas ainda um dos mais baixos do mundo. Os Estados Unidos, o maior produtor mundial possui um custo de produção de 33% a 70% maior que o nosso ou da Nova Zelândia. E o Canadá, maior exportador de lácteos para os EUA, tem um custo imoral, aproximadamente 2 vezes maior que o Brasileiro. Sobrevive de uma pecuária leiteira extremamente organizada e com facilidades para exportar para os EUA. Produtores felizes com um plantel médio de 60 vacas, tão produtivas quanto as americanas. No entanto, os subsídios estão paulatinamente caindo e não há organização que resista a uma realidade adversa do mercado.

O Uruguai é o nosso Canadá, basta que EUA ou Brasil criem quotas para importação que o caos se estabelece na produção leiteira destes países. São países altamente vulneráveis assim como é a Nova Zelândia, por depender exclusivamente da exportação em sua lucrativa indústria de lácteos. Tudo que os países exportadores não querem é que o Brasil desperte e domine o mercado mundial assim como fez com o mercado de carnes. Mas isso vai acontecer mais cedo ou mais tarde e é por isso que investidores daquele país já estão no Brasil produzindo e outros países só querem uma estabilidade mínima política para entrar aqui produzindo em alta escala.

Tanto Brasil quanto a Nova Zelândia estão aumentando seus custos de produção, com o aumento do uso de silagens e grãos num processo similar ao dos EUA que ainda nem de longe podem competir em produtividade.

Um caminho arriscado, se o produtor não estiver focado na produção e principalmente na redução de custos, utilizando substitutivos ou produzindo sua própria dieta. Propriedades pequenas não serão viáveis para a produção de leite nesta linha a curtíssimo prazo e mesmo produzindo a pasto terão dificuldades de sobreviver com o passar dos anos.

Crescer e Multiplicar

Para o produtor de leite que é jovem e quer participar deste futuro glorioso para o mercado do leite, é preciso investir gastando o mínimo. Produtores de sucesso aqui em Minas gastam uma ninharia comprando barracões de granja desativados e montam suas estruturas de compost barrn. Outros gastam uma fábula comprando tudo novo num negócio no qual o lucro se mede por centavos por litro. Um doce para quem acertar quem vai sobreviver.

Lembrem-se que em nada adiantará continuarem a ser pequenos pois o preço do leite sofrerá constantemente a pressão de baixa dos produtores industriais. A proibição das importações será um paliativo temporário mas o preço continuará caindo a longo prazo.

Pasto ou Semi-confinamento

Dez a 25% dos produtores de leite dos EUA já retornaram às pastagens, produzindo menos e lucrando mais. Nova Zelândia, Austrália, Irlanda, Uruguai nunca abandonaram as pastagens e produzem um leite com o menor custo graças principalmente as suas condições de clima. O que estes países sabem há muitos anos é o mesmo que a Embrapa e os EUA confirmam em seus estudos. Produzindo a pasto, os estudos dos EUA apontam para uma produção média de 6.000 kg vacas por lactação contra os 9.000 Kg do confinamento, no entanto, cada vaca gera uma receita de 100 dólares a mais na lactação. E o Brasil é riquíssimo e tem todas a possibilidades de produzir muito leite a um custo atrativo empregando pastagens irrigadas como a Nova Zelândia em suas plantas em Goias e Bahia ou um sistema misto, com pastejo no período de chuvas e confinamento na seca.

Conclusão:

1 - O Brasil se transformará no maior exportador de lácteos;
2 - A atividade será grandiosa mas não devemos nos iludir que bastará um banquinho um balde e umas vaquinhas;
3 - O leite em se tornando uma commoditie cotada em dólar, a pressão de baixa nos preços dos grandes produtores industriais vai impactar muito os pequenos. Ou produtor pequeno se prepara ou será uma luta desigual;
4 - O país passando a ser um player exportador, significa que teremos receitas e custos atrelados ao dólar e não somente os custos como acontece hoje;
5 - Mas o negócio é altamente promissor e os antigos modelos não servirão para muita coisa.

Agora, o governo vê o produtor de leite como um eterno chorão clamando por subsídios e restrições a importações mas o produtor não se atenta a mostrar ao governo que a atividade pode dar aquilo  que o governo mais precisa: dólares de divisas internacionais para combater seu deficit publico monstruoso. Um ministro da economia tende a não saber o que é uma vaca mas ele vendo as possibilidades fantásticas do novo negócio saberá juntamente com os produtores criar a estrutura de organização do setor para sermos mais rapidamente grande exportadores de lácteos . Do contrário será a eterna choradeira todo final de ano.

Paradigma Americano: a Industria do leite nunca mais será a mesma

Aprendi que, no Brasil as coisas acontecem com um pouco de atraso em relação ao mercado dos EUA, mas elas acontecem. Então,  acompanhei com atenção o que se passava por lá.
Em 1970 haviam 650 mil produtores de leite nos EUA, a maioria pequenos, menos de 100 vacas. Nos anos 2000 este número já havia despencado para 130 mil e a média de vacas ordenhadas subido para 150.
Em 2017 o número de produtores total  era de apenas 40 mil e quase quase todos eles com mais de 1000 vacas. Nascia um novo modelo de produzir leite, os produtores industriais ou comerciais.
Os pequenos foram vitimas de um  Modelo de Negócio Ultrapassado, dos empréstimos bancários e da pressão de baixa nos preços pelos grandes atacadistas.

Novo Paradigma: Wallmart e Krogers entram no processamento de lácteos

Estes dois gigantes do varejo americano não satisfeitos em tornarem o preço do leite mais baixo que a há dez anos atrás, caindo de 3,80 dólares o galão (3,6 lts) para $3,23 este ano, decidiram instalar modernas e gigantes fábricas de processamento de lácteos em pontos diversos dos EUA. A consequência disto foi que os produtores próximos as fábricas firmaram contratos com o Wallmart e Krogers, nos termos deles  e os mais distantes, receberam cartas das cooperativas, comunicando que não mais comprariam o leite deles.

Isto deixou os produtores e as próprias cooperativas sem receitas e os produtores ou encerraram as atividades ou estão vendendo as últimas vacas para os frigoríficos e se derem sorte, para algum produtor de leite para pagarem as contas.

Os produtores que recebiam $1,32 por galão gastando $1,92 e a quatro anos estavam no negativo no leite,  invocaram a falência coletiva da categoria e foram aconselhados a venderem tudo o mais rápido possível. 

Os Produtores Que Resistem
Produtores corajosos, com capacidade de investir, ou coragem de assumir financiamentos, estão partindo para adaptação a nova realidade. Instalando unidades de engarrafamento e o pior, querendo fazer aquilo que nunca se fez na produção do leite. Vendê-lo para restaurantes, pequenos varejistas ou até para o consumidor final como acontece na Alemanha e Inglaterra.
Pessoalmente acho uma estratégia suicida. Leite é perecível ou você vende ou perde a produção. Americano não bebe este leite UHT que, não é exatamente leite, o preferido dos brasileiros. O leite americano vem em galões de plástico e dura no máximo uns 6 dias, um processo  chamado HTST, intermediário entre o "leite de saquinho" e o UHT. Acho que é para incentivar o consumidor a consumir. Aqui o brasileiro deixa o UHT dias e dias (não pode) na geladeira e os laticínios adoram pois, podem produzir e estocar na baixa e vender quando os preços forem às alturas. Lucro certo às custas do produtor.

No Canadá Acontece o Oposto que nos EUA
Os produtores Canadenses vivem numa boa, com o sistema de cotas definido pelo governo , barreiras a importação e um órgão regulador da atividade que tem a participação inclusive de produtores cabendo a ele a decisão dos preços, das cotas de produção e mesmo taxação das importações. 
Trump está furioso mas a simples imposição de barreiras a importação Canadense vai destruir os produtores do vizinho e em nada mudar no mercado dos EUA, já consolidado com produtores industriais, verdadeiras empresas com acionistas.  Uma informação: o custo de se produzir leite no Canadá é um dos mais altos do mundo. Acho que o leite é estratégico para o país manter ocupado os campos gelados dos país. Subsídios bem camuflados na exportação. O consumidor Canadense paga caro no leite mas, tudo bem a atividade e importantíssima para o pais.
Argentina e Uruguai são o nosso Canadá. Eles exportam a vontade mas como não têm mercado consumidor não importam nada do Brasil e quem paga o pato somos nós produtores.
Até que as possibilidades do leite sejam compreendidas pelo governo e mesmo produtores a unica opção que resta ao produtor é, baixar seus custos de produção e crescer. E isto não é nada fácil.
Os americanos apesar de reduzirem os produtores a míseros 40 mil estão produzindo mais leite que nunca mas foram, digamos, ludibriados por um secretário do Governo Nixon que os incentivou a produzirem ou desaparecerem,  com vãs promessas de exportações que ficaram nas promessas.



Fontes: USDA, Feastmagazine, NBC News

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Um salto no escuro e a teoria do caos.

Sempre tive uma facilidade extrema de me adaptar ao ambiente. Sempre achando que o local que eu me encontrava no momento, era o melhor do mundo e mal me lembrando de onde eu vinha.

Mesmo quando fazia viagens relativamente curtas, 2 ou 3 meses, geralmente cursos no exterior, achava que estava em casa. Ok, nunca me enviaram para Síria ou Afeganistão embora suspeito que, muitos ardentemente desejassem isto pois, sempre fui um funcionário nada convencional, mas esta é outra história.

Sempre me pautei pela coerência. Assim que terminei o ensino médio, cheguei na Universidade Pública para fazer minha inscrição no vestibular e ali mesmo, escolhi minha carreira: perguntei ao moço que estava me atendendo qual era curso  que dava mais oportunidades de fazer dinheiro.

- Olha, Engenharia é uma boa escolha - respondeu-me o atendente olhando para o relógio impacientemente.
- Pois pode marcar aí, pois sinto aqui, minha vocação nascendo - respondi prontamente.

Terminei engenharia elétrica em 1983 e os primeiros computadores apareciam e me apaixonei. A crise do petróleo deflagrada em 1973 atingia o apogeu, no Brasil. Tudo por aqui parece chegar com um atraso de 10 anos.

Comecei trabalhando em computadores, pois empregos estavam escassos e comecei a duvidar do atendente mas um ano depois ingressava no mundo Telecom descobrindo um mundo fantástico e nesta área permaneci por 18 anos, dois deles nos EUA mas em 1996,  visitando uma fazenda de um concunhado, num dia frio de inverno (It´s a cold and blue day - Mobydick) fiquei minutos contemplando as pastagens banhadas pelo sol ainda forte dos trópicos. Percebi ali que não havia país mais rico que este. O sol irradiava energia o ano todo, que iria alimentar o mundo pois, os alimentos são reservatórios de energia solar convertida. Uma questão de tempo, seremos uma potência ainda.

Em 1997 adquiri uma fazenda ao lado e em 2004 mudei definitivamente para explorar meu novo empreendimento. Um salto no escuro, afinal nunca havia morado numa fazenda e sequer conhecia bem uma vaca. Minha filha Karen com 12 anos na época, me ensinou a diferenciar um bezerro macho de um fêmea.

Como era uma área pequena, dediquei-me a pecuária de leite, unica atividade que me diziam ser viável ali. Crescemos, fomos pioneiros na região na adoção de tecnologias mas os resultados nunca eram satisfatórios até que eu percebi, deveria encontrar uma atividade complementar. 

Comecei a pesquisar. Nosso país é o maior exportador de carne bovina do mundo mas apanhamos feio dos americanos que possuem metade do rebanho e produzem mais carne. Onde estaria o segredo.

We are going to Texas!

Não fui ao Texas, na verdade já havia ido anos atrás com minha família, cruzando 22 estados nos EUA, mas as memórias se acumularam em algum canto e, Eureca, lembrei que, o gado de corte americano é basicamente criado ali, em regiões Texanas onde nunca chove.

Continuei pesquisando e fui fazendo minhas planilhas, fundamentadas por estudos sobre a dieta de grão inteiro. Uma dieta fundamentada no fornecimento quase integral de alimentos concentrados, desafiando a principal característica dos bovinos, animais herbívoros, que se alimentam de volumoso - capim preferencialmente.

Planejamento detalhado, antes de começar o projeto propriamente, escrevi um artigo no meu blog: 

Bezerros Holandeses: Como produzir um bezerro de 12 arrobas com 12 meses.

Havia muita convicção que aquilo funcionaria mesmo sabendo que muitos por aqui tentaram e desistiram por diferentes razões. No máximo eu teria uns poucos leitores rindo de mim se desse errado. 

E funcionou maravilhosamente, com os bezerros holandeses chegando a engordar 2 Kg /dia, empatando com os rednecks. Com 12 meses vendemos o primeiro lote de holandeses, como baby beef para o frigorífico.

Eles pagaram preço de arroba de boi mas nunca tinham visto aqueles boizinhos. O lucro foi bom na casa de 60% a.a. Mas eu estava insatisfeito, queria resultados mais rápidos.

Modifiquei a dieta e vendemos o segundo lote com 10 meses. O lucro melhorou muito pois o consumo dos alimentos é função do peso do animal que a cada 15 dias deve ser monitorado por amostragem. A ferramenta que desenvolvi foi muito importante, entravava com peso do animal e ela me dava a dieta por animal  e a lucratividade que eles teriam ao longo do tempo até sua venda. Estava ficando tedioso, pois a ferramenta previa o futuro mas, ela não previa não conformidades, a teoria do caos.

Um dia morre um bezerro de acidose, uma diminuição drástica do PH ruminal. Meus funcionários ficam muito abatidos enquanto eu ficava repetindo: foi a melhor coisa que aconteceu, pois isto vai evitar uma tragédia de grandes proporções que aconteceria em breve. Um bezerro heroico. Salvou os demais. Fizemos o enterro do pobre bezerro com salva de tiros e bandeira Nacional.

Corri para o Google e horas depois fui parar numa tese de mestrado de Carolina Guerra Martins de 2013. Ela percebeu que a adição de bagaço de cana na proporção de 9% elevou o PH ruminal de 5,7 para 6,10. Não temos bagaço de cana na Fazenda e optei por cana moída que utilizamos no trato de novilhas, bezerros e vacas secas etc. Mas cana não é um substituto ideal do bagaço pois contem muito carboidrato.  


Maravilha, resolveu o problema e nos permitiu sair do fio da navalha, pois quando você trabalha nos limite, o risco de mortes é grande, daí fornecíamos a dieta em porções, 3 vezes ao dia para evitar uma redução excessiva do PH. Com a introdução da cana triturada passamos a trabalhar com dieta 2 vezes ao dia.

Mas dias depois vejo que alguns bezerros não estavam muito bem, apresentando sinais de timpanismo. Pensei, será a cana? Mas em quantidades tão pequenas, é impossível. Perguntei aos funcionários e eles disseram que haviam aumentado 600 gr para 3 kg pois isto teoricamente, seria ainda melhor.

Não era, embora as intenções fossem as melhores. Quando você trabalha no limite, uma pequena modificação assim, elevou os nível de carboidrato, que seria fatal se eu casualmente não tivesse ficado cismado com um bezerro especificamente. Gato escaldado tem medo até de neve.

Bem, neste estágio, considerei que havíamos atingido o ponto ideal e arriscar mais seria inútil e perigoso.

Comecei a testar então o bezerro meio sangue. Metade holandês e metade Gir, chamado de girolando e bem aceito pelos criadores de bezerros a pasto que fogem do bezerros holandeses como o diabo da cruz pois, são mais frágeis, menos resistentes ao calor e por esta razão têm menor conversão alimentar.

Desmamados aos 2 meses, os bezerros 1/2 sangue, foram confinados na dieta de grão inteiro e aos 4,5 meses vendidos com 180 Kg cada a um preço de R$ 1.200,00 por cabeça. Um lucro de R$ 800,00  e um custo final de R$ 422,00 por cabeça. Lucro líquido real de 267%. Um negócio com lucratividade de Pablo Escobar e totalmente lícito.

Caos Theory

Planejamento para o ano seguinte feito, já visualizando os milhões, a teoria do Caos entra em ação novamente: uma presidente cabeça de vento joga o dólar de 2 para 4 reais o que eleva o custo da saca de milho de 22 reais para quase 50 reais, provocando suspensão temporária do projeto em 2016, com retorno previsto para 2017 caso outro maluco governamental não entre em ação novamente. Anyway, os lucros serão menores, pois os preços dos bezerros caíram com o naufrágio da economia, embora ainda sejam espetaculares. 

Bom para o Brasil

O aproveitamento dos bezerros holandeses, hoje descartados, poderiam adicionar ao mercado de carne nacional, 100 milhões de arrobas /ano, a partir do uso desta técnica, como é feito na America e Europa.

O confinamento de bovinos tomou lugar da pecuária extensiva nos EUA lá pelos idos de 1850. No Brasil, esta novidade ainda não é uma realidade pelo custo tradicionalmente barato das terras no passado e pelas incontáveis heranças de pequenas capitanias hereditárias espalhadas pelo Brasil. Mas  as terras estão cada vez mais valiosas, devido a pressão da agricultura. 

Com isto, as multinacionais e grandes  produtores, invadiram a Amazônia a partir da década de 70 para estabelecer novas áreas  para a produção de carne seguidas depois pelos agricultores. 

A produção dos novilhos precoces utilizando os bezerros machos da pecuária de leite reduzirá drasticamente esta pressão, salvando a Amazônia.


domingo, 15 de janeiro de 2017

Qual o melhor Investimento? Terras ou Imóveis Residenciais

Resposta Simples para uma Simples Questão


Esta é uma discussão que se arrasta, mas cuja resposta é bastante simples: Terras. Não existe investimento mais seguro e com a mesma rentabilidade no médio e longo prazo e com a possibilidade muito provável, de se tornar inimaginável assim que o Brasil permitir que estrangeiros adquiram terras aqui, inflacionando em dólar os preços do hectare. Nem o MST quer ficar de fora.


Não Chame o SAMU, ainda

Antes que o leitor chame o SAMU para capturar um blogueiro e produtor rural ensandecido, calm down, leia primeiro o que vou escrever.

Porque a maioria prefere a Poupança?

Mesmo sabendo que o retorno da poupança é pequeno, a maioria dos pequenos investidores a prefere, por ser garantida pelo Tesouro Nacional o que, em se tratando de Brasil, não significa muita coisa, pois Sarney, o presidente dos Bigodes e que caçava Boi Gordo, deu o calote internacional na divida externa, o que levou o Brasil a um atraso de pelo menos 20 anos no seu desenvolvimento.  Collor, o presidente caçador de marajás, confiscou a poupança por uns tempos, acabando com a pouca credibilidade que ainda restava a república. Mas esta é outra história. 

O que importa é que a maioria, prefere a segurança dos títulos do tesouro, principalmente do governo dos EUA. E se há dólares ainda entrando no Brasil é porque os juros lá são menores que 1% mas, tudo muda. Trump está adentrando o saloon.

Rentabilidade do Hectare de Terra nos últimos 20 anos


Não sou o IBGE para ficar aqui divulgando números, mas se vocês analisarem a valorização das terras no Brasil nos últimos 20 anos, ela foi em torno de 10% a.a. acima da inflação e 6% a.a. acima da poupança, o que para investidores conservadores, não é mal. E quando tudo vai mal neste país, pelo menos o agronegócio continua segurando as pontas e as terras mantem uma relativa estabilidade de preços.

Rentabilidade dos Imóveis Residenciais últimos 20 anos

Como vocês podem ver no gráfico abaixo, a valorização dos preços dos imóveis sofreram ciclos de alta e baixas, com uma valorização de 200% de 2004 a 2014 impulsionada pelo crédito fácil e demais benesses sem lastro do governo Petista,  que se foi bom no curto prazo, destruiu a economia no médio prazo. E hoje começa-se pagar a conta com novo período de queda de preços do imóveis, ainda tímida.
E uma noticia mais chocante, nos últimos 36 anos a valorização real  dos imóveis foi de apenas 1,23% a.a. perdendo da inflação.

Fonte:http://rexperts.com.br/valorizacao-dos-imoveis-brasil-fipe-zap/


Vaca velha não tem valor mas Terra não envelhece

Um imóvel residencial tem um problema no longo prazo:  ele envelhece e não há reforma capaz disfarçar a idade da construção. É como cirurgia plástica, estica, disfarça e dizem que melhora o rosto mas no resto ficam as marcas inconfundíveis dos anos. No final você acaba ficando apenas com o terreno e um monte de entulhos que você precisa pagar uma baba para demolir e transportar.

Terra não. O inquilino pode abusar, destruir cercas, pastos, tudo, mas a terra ele não consegue, por mais que tente. A natureza é sempre  mais forte e os campos logo renascem, isto é, claro, se você não tiver comprado uma terra muito ruim. Cascalhinho ou areia.  Neste caso, terá que reformá-la totalmente, o que também não é muito caro.

Você Ficará Rico Comprando Terras


Não seja tolo, se você compra pouca terra é porque você é um pobre remediado e medroso de fazer investimentos arriscados.

Comprar terras pequenas é uma forma de proteção ao seu dinheiro, fruto do seu trabalho. E com a vantagem que o MST não invade propriedades pequenas.

Se você compra muita terra,  então você já é rico e não vai perder tempo lendo este blog. Uma fazenda grande, bem administrada pode gerar riquezas na agricultura e também fazê-lo pobre da noite para o dia. 

Na pecuária de corte, você vai conseguir bons rendimentos, claro se bem administrado por você e dificilmente você ficará mais pobre.

Pecuária de Leite é coisa para doido varrido ou pequenos produtores mas um grande negócio para empreendimentos familiares, nos quais a família toca seu próprio negócio. Claro, pode ser um negócio interessante para produtores industriais, que produzem em altíssima escala, mas existem muitos riscos num mercado cujos preços segue um modelo tipo samba do crioulo doido.

Um sítio pequeno pode ser rentável

É possível, desde que se opte por uma diversificação na produção. Ex.: borracha, aves, leite orgânico, suínos e uma variedade muito grande de possibilidades de negócios, que exigem trabalho e capital para investir. Escolha sempre pelo investimento menor possível. Rusticidade mas segura e bem feita. Siga o modelo da Nova Zelândia que opta sempre pelo simples e funcional. Beleza não gera renda a não ser é claro que você pense em fazer um empreendimento de eco-turismo.



E a sede da fazenda

Se você vai morar na fazenda, pelo menos por alguns anos, faça uma estrutura confortável e bonita. Não vai gerar um único níquel e ainda vai te dar custos mas você viverá confortavelmente e desfrutando dos prazeres do campo. Um investimento assim, numa terra pequena, valoriza seu imóvel, numa terra grande não muda nada, pois o valor da infra-estrutura se dilui nas centenas de hectares. E os custos se depreciam ao longo dos anos e no final você viveu agradavelmente,  sempre da melhor forma possível, sem os excessos de novo rico. 

Guerra ou cataclismos

Nas grandes crises mundiais, grandes acidentes naturais, a terra é a única coisa que permanece intacta. Todos os outros imóveis ou valores podem literalmente desaparecerem e você ficar pobre, pobre de marré deci.


Onde comprar minhas terras

Em um lugar que tenha água com abundância o ano todo, um regime de chuvas acima de 1000 mm. Se você é pecuarista e gosta de tecnologia e quer confinar seu gado de corte, opte pelo Mato Grosso, pois ali há alimentos baratos e o custo da arroba do boi é similar aos demais estados. 

Mas o lugar seguro no longo prazo, é nos EUA ou Canadá ou algum estado do Paraná para baixo, embora o preço das terras seja alto nestes lugares.

A previsão da ONU é que, com aquecimento global e desmatamento da Amazônia,  o sudeste e centro-oeste enfrentarão temperaturas acima de 50 graus, impossibilitando a existência de qualquer forma de vida, com tornados assustadores de 600 km por hora. E EUA e Canadá,  nos seus estados mais  frios, vão ter o clima do Brasil central de hoje. Tudo são teorias mas, se você é do tipo assustado, é bom ir se prevenindo.

Uma riqueza inexplorada

Como mencionei em 3 artigos deste blog, o Brasil poderia simplesmente dobrar sua produção de carne, aproveitando os bezerros hoje descartados na pecuária de leite, utilizando-se a dieta de grãos inteiro. Isto está bem perto de acontecer pois, cada vez mais a agricultura avança sobre as terras planas e o corte ficará restrito as terras de relevo acidentado e ao confinamento. Mas esta é outra história, já repetida neste blog várias vezes.