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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

O Melhor Negócio da Pecuária Leiteira é o Bezerro Macho


Obs.: Projeto Viável para preço do milho igual ou abaixo de R$ 30,00

Caminhando contra o vento

Antes que o amigo leitor imagine que eu perdi a razão definitivamente, deixe-me primeiro explicar as razões desta virada de mesa.

Minha vida durante 18 anos foi na área Telecom, dois anos nos EUA e de repente abandono o ramo e vou empreender na atividade rural, para explorar as terras que eu havia comprado há uns 5 anos, lidando com uma atividade que  embora seja relativamente segura, é sabidamente de baixa lucratividade, ou pelo menos eu acreditava nisto.

Por um acaso do destino, em 2001 comecei a me aventurar na atividade leiteira e a partir de 2004 me dediquei exclusivamente a pecuária, mais focado na produção de leite. 

Para quem mal sabia o que era uma vaca, foi uma aventura e tanto. Aprendi muitos com vários profissionais competentes como o professor Nelson Ferreira Lucio, Marcelo Reis, Eltony Leão, Rodrigo Zumpano Rodrigues e outros e, se não existisse a internet, especialmente o google,  teria desistido em poucos anos. Com uma infinidade de informações fui aprendendo e desenvolvendo as planilhas necessárias ao planejamento, controle do rebanho e ao financeiro. Mas o que me entristecia era a rentabilidade, margens pequenas, o que me apontava uma única alternativa: aumentar muito a produção, o que exigia altos investimentos, ou um tempo muito longo para atingir as metas e a longo prazo, como diria Lord Keynes, a longo prazo estaremos todos mortos.

Diversificar para Sobreviver às Crises Sazonais

Após alguns anos decidi diversificar e trabalhar também com a pecuária de corte, por uma razão simples, quando o leite está em baixa, os preços da carne geralmente estão em alta e vice-versa. Uma dependência exclusiva numa atividade só, seria altamente perigosa. 

Mas, havia um impasse, como adquiri as terras com o meu trabalho em Telecom, evidentemente a área é pequena se comparada aos latifúndios dos herdeiros de terras no Brasil. Algumas fazendas são maiores que muitos países. 

Assim, eu teria que encontrar um modelo de negócios que funcionasse sem grandes investimentos e com alta produtividade e giro rápido, para manter o padrão de vida relativamente bom.

Produzindo o Vitelo ou baby beef para um mercado que desconhece o que é isto

E o que eu tinha em mãos para produzir carne sem altos investimentos, era o bezerro da raça holandesa, meu gado preferido para a  pecuária de leite. Mas o problema é que o bezerro macho de gado  com grau de sangue acima de 60% Holandês (que chamaremos de +holandês neste artigo) é considerado uma praga e desprezado pelos produtores. Em geral são doados ou mesmo mortos ao nascer pelo produtor, atitudes que me horrorizavam. Um típico produtor de leite ao saber que sua vaca pariu um bezerro macho holandês,  chora copiosamente, batendo com a cabeça na primeira arvore que encontra e praguejando contra a maré de azar.

Mas eu achava que naquele quinhão havia possibilidades, afinal produzimos 10 milhões de bezerros de leite por ano. Não sei qual a porcentagem, mas uma grande parte de bezerros "indesejados", os +holandeses.

E comecei testar alternativas até que cheguei a dieta de grão de milho inteiro, com reduzida quantidade de volumoso (10%). Isto nos permitiu lucros muito bons por cabeça mas eu queria mais.

Comecei então a testar bezerros mais voltados ao Gir, os quais chamaremos neste artigo de -holandês, que é um tipo de gado Zebuino, originário da Índia e que, cruzado com o holandês, produz fêmeas com alta capacidade leiteira e machos com boa eficiência na produção de carne. Embora seja menos dócil e tenha uma persistência de lactação menor que o holandês. Em compensação, são perfeitamente adaptados ao clima e parasitas tropicais.

No comparativo entre bezerro macho +holandês e o 
-holandês, o resultado foi:

Na estação da seca, o bezerro +holandês, tem um ganho de peso diário superior ao bezerro -holandês mas, na estação da chuva, o bezerro -holandês supera e muito o +holandês. 
Chegamos a atingir GPD ( ganho de peso dia) de até 2 Kg com o bezerro +holandês,  e 1,5 Kg com o Bezerro  -holandês.

Parece que a escolha certa seria optar pelo bezerro +holandês mas, como diria o Joelmir Beting, na prática, a teoria é outra, pelos seguintes motivos:

1 - Os bezerros +holandeses são mais frágeis, menos resistentes ao calor e por esta razão têm menor conversão alimentar, haja visto que gastam uma boa parte da energia que extraem de sua alimentação no equilíbrio da temperatura corporal. No inverno vão muito bem e têm GDP maior que os - holandeses mas no verão, os - holandeses largam na frente. 

2 - Os criadores de bezerro a pasto fogem do holandês, como o diabo da cruz, pelas razões acima e pela baixa resistência aos parasitas como o carrapato e as doenças que esta praga transmite;

3 - Os confinadores até que compram os bezerros +holandeses, pois estes se adaptam bem ao confinamento, porém pagam preços bastante inferiores ao que pagam no bezerro -holandês, aproveitando-se da oferta superior a demanda;

4 - Os frigoríficos desconhecem a carne de bezerro precoce ou baby beef, o que só demonstra o atraso cultural e tecnológico da bovinocultura em relação a suinocultura e avicultura;

Lucro de 267% em bezerros de 4,5 meses

Há uns 5 meses iniciamos os testes com bezerros com grau de sangue mais acentuado no Gir, no mínimo 50%,   os aqui chamados de  -holandeses.

Desmamados aos 2 meses, foram confinados na dieta de grão inteiro e aos 4,5 meses vendidos com 180 Kg cada a um preço de R$ 1.200,00 por cabeça. Um lucro de R$ 800,00  e um custo final de R$ 422,00 por cabeça. Lucro líquido real de 267%.

Os holandeses produzidos  também vendidos aos 4,5 meses, tiveram o mesmo custo de R$ 422,00, porem o preço de venda se limitou a R$ 700,00 por cabeça. Um lucro líquido de 166%. Muito bom mas, muitos atrasaram na desmama por uma série de doenças, que os bezerros -holandeses não adquiriram, por serem adaptados ao habitat. Assim na média geral o lucro dos +holandeses se limitou a 42% em 4,5 meses.

Nem tudo é maravilha

Se o negócio parece tão lucrativo quanto os do finado Pablo Escobar qual o problema então. 

Escala meus caros. Uma fazenda leiteira típica e relativamente de alta produção no Brasil, têm em média 300 vacas, e podemos esperar no máximo 120 bezerros macho ano. A maioria das fazendas têm muito menos vacas. O ideal seria termos 1.000 bezerros por ano mas isto implica num custo anual só com os bezerros de quase meio milhão e perigos constantes com a instabilidade da economia,  a alta do dólar e consequentemente dos insumos. Se o dólar cai, podemos esperar também uma queda no preço da carne e consequentemente do bezerro macho.

Então resolvi ir aos poucos, inseminando minhas vacas leiteiras com sêmem de touros Gir ou Girolando e principalmente, produzir leite ao menor custo possível gerando o maior numero de bezerros macho por ano. Além disto o conceito de rebanho estável foi por água abaixo, e o que queremos agora é manter todas as fêmeas para que também produzam leite e principalmente bezerros machos, mas isto tem custos, necessita de altos Capex e sangue frio.

Que sêmem sexado que nada

A pecuária leiteira no Brasil chegou a tamanha distorção, que aqui se emprega muito o sêmem sexado, na qual o produtor de leite produz apenas fêmeas menosprezando o altamente lucrativo negócio da pecuária de corte ao aproveitar os bezerros machos.

Não quero nem ouvir falar em sêmem sexado a não ser claro, para replicar com a técnica FIV, herdeiras de uma vaca com características excepcionais. Mas esta é outra história.

Mais é Mais

Antigamente (há alguns meses) meu foco era: obter a maior produtividade por vaca com um rebanho estável, ou seja produzir muito leite com um rebanho mínimo.

Mas, a descoberta deste negócio, mudou meus planos. O foco agora é produzir leite no modelo da Nova Zelândia, uma média de litros de leite por vaca razoável e com o menor custo mas com a diferença que sempre buscaremos o maior rebanho possível para produzir a maior quantidade de bezerros. Utilizando sempre vacas produtivas, adaptadas ao clima, e com alta eficiência reprodutiva. E isto nos força a abandonar os sêmen de touros Holandeses, focando basicamente nos sêmen de touros zebuínos da raça Gir ou Grolando, nacionais. 










quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Uma Riqueza Inexplorada na Pecuária



Obs.: Projeto Viável para preço do milho igual ou abaixo de R$ 30,00

Pecuária de Leite Brasileira - Uma industria do século 19 em transformação profunda e dolorosa.

O Brasil é um país curioso. Nossa industria láctea é uma das mais primitivas do mundo com lactação média ao redor de 1.500 lts de leite por vaca. Os EUA têm uma lactação de de 10 mil lts por vaca e a Índia de 1.200 lts por vaca. Nossa pecuária de leite desenvolveu-se lideradas por produtores extrativistas utilizando técnicas do Brasil Império que produzem o chamado leite verde, coletado de vacas tatu com cobra, cruzamento de racas europeias com o gado Zebuino ou BOVNI (Boi de Origem Vadia Não Identificada), criadas, pode-se dizer, exclusivamente a pasto. 

Ondas de modernidade criaram em Pindorama um arquipélago que eu chamo de Nova Zelíndia, uma mistura de Nova Zelândia com a Índia, formado por ilhas de produtores modernos empregando os mais modernos conceitos na produção leiteira em meio a um cenário desolador, cercados pela  pobreza cultural, tecnológica, de recursos e apoio de um governo jurássico e corrupto   que impede que os produtores tradicionais ou gigolôs de vaca ousem a mudar os seus conceitos.

Isto fez florescer uma imensa cadeia de pequenas cooperativas de leite que funcionam como empresas publicas, elegendo para presidente,  produtores de leite com a visão do século 19  para gerir um negócio de século 21.

Os presidentes, na verdade, se locupletam nos cargos,  com razoáveis salários e vantagens obscuras transformando as cooperativas em cabides de empregos para uma quantidade enorme de pessoas sem capacitação, pois se forem capacitados, podem derrubar o presidente. Então, tirando as devidas exceções, estas cooperativas não tem o menor futuro e serão engolidas pelas grandes multinacionais, que obviamente só se interessam pelos produtores de alta produção. Na verdade 500 mil produtores já abandonaram o negócio e muitas famílias foram para as cidades, para uma vida sofrida, pois sem qualificação não têm a menor chance de concorrer no altamente competitivo mercado de trabalho.

A única maneira seria as cooperativas se unirem formando uma grande cooperativa comandada por executivos com vasta experiencia no setor. Mas isto nem pensar, os presidentes usam até colar de alho e água benta  para se protegerem desta eventual ameaça modernista aos seus cobiçados carguinhos. E assim, one by one, os pequenos laticínios que se fartaram do dinheiro fácil na época do Lula Marolinha vão quebrando e levando consigo uma enorme quantidade de pequenos produtores a uma situação crítica pois, sem as pequenas cooperativas, as grandes multinacionais ditarão preço que quiserem para o leite e pior, coletarão o leite que lhes forem conveniente, mudando totalmente o perfil do produtor de leite, que terá que se profissionalizar. Mas isto não é suficiente. Não basta ter o domínio de novas tecnologias é preciso ter capital de giro e para investir. É preciso ser grande e produzir muito. 
Nos EUA, produtores com menos de 5 mil litros/dia  já não conseguem sobreviver.

Alem da produção é preciso estar posicionado geograficamente numa rota interessante para os laticínios. Quanto mais vizinhos grandes produtores melhor  o pequeno produtor tiver melhor para ele pois as industrias coletarão seu leitinho por uns tempos simplesmente por não adicionar custos de frete.

Com este novo cenário, 1 milhão pequenos produtores abandonarão a atividade num futuro próximo. 

O melhor negócio da Pecuária de Leite 

Hoje no Brasil, com neste cenário de terra arrasada que se encontra o país e que irá produzir mudanças dolorosas, é preciso encontrar meios de subsistir na pecuária de leite durante a fase de convergência para o novo modelo, após o fim da última pequena cooperativa de leite. Lembrando que, este fim pode ser uma fusão de várias pequenas cooperativas numa empresa moderna, grande e competitiva. Mas, dado os interesses pessoais e oligárquicos, como mencionei, é de se duvidar que isto aconteça. Mas a esperança é a ultima que morre e esta é outra história.

Hoje o Brasil produz cerca de 10 milhões de bezerros machos na pecuária de leite. Sua grande maioria é simplesmente eliminada. Isto mesmo senhores, assassinados no momento do nascimento para se evitar os custos na sua criação para um retorno inexistente no modelo tradicional de criação a pasto ou mesmo pelo modelo de altíssimo custo  usado no confinamento de  Pindorama (Pindorama foi o primeiro nome dado ao Brasil pelo índios que aqui habitavam. O nome mudou, o país mudou um pouco).

Os bezerros machos da pecuária leiteira, como explicado no artigo Produzindo Bezerros Precoces para Corte - Resultados poderiam adicionar ao mercado de carne nacional, 100 milhões de arrobas a cada 10 meses, a partir do uso desta técnica pelos produtores de leite. Na verdade, quem vai criá-los serão os produtores de corte, que vão adquiri-los a um preço justo dos produtores de leite, gerando-se assim, uma nova fonte de renda para o produtor de leite. 

Mas, até que os pecuaristas de corte, que em grande parte ainda também trabalham com conceitos do Brasil Império adotem esta nova realidade, o produtores de leite terão que fomentar este negócio, eles próprios engordando os bezerros de leite. 

Muitos se tornarão pecuaristas de corte e outros se especializarão na criação até a desmama, quando irão revenderem os bezerros aos confinadores. Mas isto levará um bom tempo.

Ecologistas: a produção do bezerro precoce salvará a Amazônia do desmatamento

O confinamento de bovinos tomou lugar da pecuária extensiva nos EUA lá pelos idos de 1850. No Brasil, esta novidade ainda não é uma realidade pelo custo tradicionalmente barato das terras no passado e pelas incontáveis heranças de pequenas capitanias hereditárias espalhadas pelo Brasil. Mas isto está no fim e as terras estão cada vez mais valiosas, devido a pressão da agricultura. 

Com isto, as multinacionais e grandes  produtores, invadiram a Amazônia a partir da década de 70 para estabelecer novas áreas  para a produção de carne seguidas depois pelos agricultores. 

A produção dos novilhos precoces utilizando os bezerros machos da pecuária de leite reduzirá drasticamente esta pressão e produzirá menor emissão de gás metano. Os EUA com a metade do rebanho de Pindorama, produzem mais carne  porque eles aproveitam os bezerros de leite, tem mais produtividade devido aos incentivos governamentais e um mercado consumidor poderoso e alta competitividade exportadora devido a qualidade da carne americana.

Nosso gadinho a pasto é musculoso e quando criado de maneira tradicional do Brasil Império, vai para o abate dos 3 aos 5 anos, gerando uma carne dura, de pouco valor no mercado internacional. Claro, temos produtores modernos que produzem carne de alta qualidade mas a norma é o gadinho nelore, musculoso como Schwarzenegger, e duro de matar como Bruce Willis.








domingo, 6 de setembro de 2015

Produzindo Bezerros Precoces para Corte - Resultados



Obs.: Projeto Viável para preço do milho igual ou abaixo de R$ 30,00

Em novembro de 2014 publiquei um artigo cujo título era 

Bezerros Holandeses: Como produzir um bezerro de 12 arrobas com 12 meses. Bem, passados 9 meses chegamos a interessantes conclusões que vou tentar descrever sucintamente para não cansar o já cansado leitor de tanta bobagem miraculosa que se escreve por aí.


O artigo de 2014 foi escrito logo no inicio do projeto piloto de engorda  utilizando a Dieta de Grão Inteiro, que consiste em alimentar um ruminante apenas com milho inteiro e um núcleo especial até o abate, que originalmente aconteceria aos 12 meses. 

Primeira Geração da Dieta Veredas: E realmente  o primeiro abate se deu com animais de 10 meses de vida  com aproximadamente 10@s e ganho de peso diário médio de apenas 1 Kg / dia.  Em janeiro finalizei o sistema simulador que indica o Ganho de Peso ideal Diário (GPD)  e a idade para o abate com lucro ótimo. A planilha também gerou a tabela de consumo /dia de milho e núcleo referente  a dieta necessária para se conseguir um determinado GPD. Percebi que, a chave do sucesso estava no GPD máximo. Um pequeno GPD significava que teríamos que manter os animais 10 meses ou mais no cocho reduzindo drasticamente o lucro líquido. Nesta primeira geração da dieta os animais comiam 2% do peso vivo em milho grão e 30% de núcleo, tomando-se como referência o consumo dia de milho.
A primeira venda dos animais gerou um lucro líquido de 28% ou 4% a.m.


Segunda Geração da Dieta Veredas: Insatisfeito com o resultado, modifiquei a dieta aumentando em 10% o  percentual de milho  sobre o peso vivo na dieta tomando os devidos cuidados para evitar que os animais morressem de distúrbios metabólicos, tendo em vista que dietas com alto teor de concentrados levam a uma diminuição do PH ruminal que podem levar os animais a quadros de acidose ruminal e sanguínea que podemos identificar facilmente pela diarreia e presença de muco nas fezes bem como desidratação, falta de coordenação motora resultando na  morte do animal. Outra doença característica destas dietas é o timpanismo ou empanzinamento que é a impossibilidade do animal de eliminar o excesso de gases no rumem que podem levar a uma morte súbita por parada respiratória. Podemos identificá-
lo principalmente pela distensão do flanco esquerdo, um abaulamento em cima do rumem do animal. Existem uma série de outros distúrbios mas os mais graves são estes dois por levarem o animal a uma morte rápida e, às vezes, muitos animais simultaneamente. Felizmente nestas duas etapas não observamos nada, absolutamente nada de anormal com a saúde dos animais,  o que nos deu confiança para prosseguir incrementando a dieta cada vez mais. Os animais foram vendidos com 8 meses de vida com peso próximo de 10 @s e GDP de 1,2 KG /dia. Lucro líquido de 30%.


Terceira Geração da Dieta Veredas: Mas não estava satisfatório ainda e resolvi aumentar ainda mais a  quantidade de concentrado por animal por dia. E então um belo dia, um animal, um tourinho excepcional, morreu subitamente por empanzinamento. Meus funcionários ficaram desconcertados, mas na hora eu lhes disse: esta é a melhor coisa que poderia ter acontecido pois, nesta vida,  só aprendemos com o erro. Estava festivo demais para para aprendermos algo. Fui direto ao Google pesquisar como aumentar o PH ruminal dos bovinos confinados na dieta de grão inteiro. E lá estava a resposta, numa tese de mestrado de Carolina Guerra Martins de 2013. Ela percebeu que a adição de bagaço de cana na proporção de 9% elevou o PH ruminal de 5,7 para 6,10. Não temos bagaço de cana na Fazenda e optei por cana moída que utilizamos no trato de novilhas, bezerros e vacas secas etc. Mas cana não é um substituto ideal do bagaço pois contem muito carboidrato. Fiz uma nova tabela da dieta e passei aos funcionários mas, como eles perceberam que a cana funcionava decidiram por conta própria, pensando em garantir que o timpanismo não ocorresse novamente, aumentar a quantidade de cana 5 vezes mais que o indicado na tabela que lhes dei. Logo percebi os indícios de acidose ruminal pela diarreia intensa. Corrigimos e passamos a seguir a tabelinha e os sustos cessaram. A Dieta de Grão Inteiro é uma ciência exata e não aceita amadorismos. Muito tentam e perdem animais. É preciso estudar e compreender seus fundamentos e principalmente, respeitar as quantidades e pesar os animais mensalmente. Uma conversa telefônica com o Fernando, Zootecnista da Comigo, fornecedora do excelente núcleo que eu utilizo, me permitiu identificar o que estava acontecendo. Uma ajuda valiosa. Desta vez conseguimos e em alguns animais media de GPD de até 2 Kg, mas a média ainda está em torno de 1,5 KG, mas a previsão é que irão para o abate com apenas 6,5 meses de vida. Mas não está bom ainda. Continuamos a buscar o GPD de 2 kd/dia por animal.


Voltarei com mais detalhes se o leitor se interessar pelo assunto. Ele é amplo e envolve muita tecnologia para se obter o desempenho máximo e requer aquisições de milho no momento certo e  abaixo de R$ 25,00 a saca para um preço  da arroba do boi na faixa de R$ 120,00. Mas o simulador é completo e permite que tenhamos uma visão do futuro. 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Produzindo Leite: Uma Atividade Cada Vez Mais Profissional

No Brasil temos basicamente 3 tipos de Produtores de Leite:


1 - Produtores Familiares: ( até 1.000 litros de leite / dia) são famílias proprietárias de um pedaço de terra que sobrevivem quase  que exclusivamente do leite, na qual todas atividades são executadas pelos membros da família. Digo quase que exclusivamente, pois como dizia  Pero Vaz de Caminha, nesta terra em se plantando tudo dá, logo as famílias ainda obtém uma rendinha extra com diversas outras atividades não fins mas que ajudam no orçamento doméstico. Um grande negócio, mas uma atividade dura e que requer trabalho árduo e incansável. Não é para todos. Os mais aptos estão cada vez mais se sofisticando e crescendo.  Os demais vão se extinguindo, vendendo as propriedades e mudando para as cidades, atendendo ao irresistível desejo de uma vida ociosa e divertida. Acabam por engrossar o cordão do Bolsa Família, pois o mercado exige especialização que eles não possuem.

2 - Produtores Amarra Cachorro: ( de 1.001 a 5.000 litros de leite /dia). São os médios produtores, como  este humilde escriba,  que se esforçam para  crescer  num mundo de incertezas e mão de obra cada vez mais difícil, pois ninguém quer morar no campo, a não ser que seja proprietário e tenha veículos e recursos para ir a a cidade quando as esposas explodem e falam que não aquentam mais aquela solidão bucólica. Elas querem é o buzinaço, o ronco dos motores, a poluição, tropeçar nas  pessoas nas ruas, nos shopping centers, comer comidas pouco saudáveis e às vezes contaminadas em restaurantes da moda, a dengue, e fuga alucinada de bandidos perigosos e o sibilar das bala perdidas. Eta mundão bom demais. 
Alguns produtores, na verdade  a maioria, moram na cidade, curtindo os prazeres da vida urbana, os bares, o álcool, a cirrose e as conversas fiadas jogada fora em longos papos improdutivos, afinal o ser humano é um ser social , como as formigas e cupins.
Estes produtores tentam produzir cada vez mais, pois o lucro por litro de leite, é na casa de centavos e portanto o que importa é o volume mensal. E cada vez que aumentam a produção, mais complexa se torna a atividade, dependente de mão de obra instável e saturam o mercado de leite, fazendo despencar o preço do litro, pois a lei de mercado é cruel e não perdoa.  Para baixar os custos, tentam automatizar tudo ao máximo, os mais iluminados e corajosos já começam a utilizar robôs nas ordenhas, substituindo o velha mão de obra humana.
Utilizam técnicas como FIV que permitem uma padronização do gado leiteiro atingindo médias muito altas. Vacas de 25 a 30 litros são vendidas para produtores familiares ou enviadas para os frigoríficos. Antigamente uma vaca considerada boa de leite, produzia 10, 15 litros de leite, hoje uma vaca boa produz na faixa de 50 a 60 litros, tendo as exceções que chegam aos 100 litros. Mas ai a complexidade é enorme. No início, se fazia uma uma ordenha diária e para se atingir médias cada vez mais altas, faz-se 3 a 4 ordenhas diárias. É quando a maioria dos produtores amarra cachorro, jogam a toalha e fazem a liquidação do plantel, pois já estão a beira de um ataque de nervos. Depois de vendido todo o gado, ordenha, equipamentos, tratores e implementos, falam para todo mundo que nunca foram tão felizes, finalmente livres da escravidão do leite. Esta felicidade dura até acabar o dinheirinho arrecadado quando passam por crises do tipo, eu era feliz e não sabia, mas esta é outra história.
Os mais aptos passam para a segunda faixa de produtores.

3 - Produtores Profissionais: ( acima de 5.000 litros /dia). Aqui o negócio é encarado como um indústria. Primeiro faz-se o plano de negócio do empreendimento. O tal business plan contém o planejamento da industria num período de 5 a 10 anos. Capital necessário, despesas, mão de obra, produção e quantidade e tipos de animais necessários  e a média de litros por vaca  de acordo com o sistema de alimentação a ser utilizado. Pastagens irrigadas em pivôs centrais, confinamento total  ou semi-confinamento. As terras são adquiridas sempre próximas as cidades  ou mesmo doadas pelas prefeituras que têm todo o interesse em que uma nova industria se instale na cidade gerando empregos e impostos. O primeiro erro básico é montar a empresa longe da cidade. Os funcionários devem morar na cidade e com a opção de transporte gratuito até a industria de leite.  Os números são na faixa de milhões de dólares, e muitas vezes a empresa é uma sociedade formada por um grupo  de empresários ou mesmo poderia ser uma startup, que capta dinheiro nas bolsas para para todo o empreendimento. Neste caso normalmente após uns 5 anos consumindo o dinheiro alocado pelos investidores crédulos e ávidos por lucro, a empresa abre falência e os donos partem, enriquecidos com contas em paraísos fiscais e  partem para uma nova startup, num negócio totalmente diferente, para se dar dar bem mais uns 5 anos as custas dos tais investidores, ávidos pelo lucro fácil.




quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Bezerros Holandeses: Como produzir um bezerro de 12 arrobas com 12 meses.



Obs.: Projeto Viável para preço do milho igual ou abaixo de R$ 30,00 

A pecuária leiteira no Brasil sempre se caracterizou por desprezar os bezerros machos. O produtor sempre cai em prantos quando uma vaca pare um macho holandês, e manda rezar novena na certeza que aquilo foi olho gordo.  O mais cruéis normalmente matam o pobre animalzinho, que só deu azar de nascer com o sexo errado num país errado e povoado com produtores rurais perdidos no tempo e espaço abandonados pelos governos e sem conhecimentos. Alguns produtores, mais humanos,  doam o infeliz holandesinho para qualquer um, lavando as mãos, e na realidade só estão terceirizando a morte do bezerro. Outros tentam criá-lo da melhor maneira possível para ganhar um dinheirinho mas isto é uma tarefa quase impossível, pois animais europeus não se dão muito bem em países tropicais. Sofrem com o calor, parasitas selvagens e com maus cuidados com sua sanidade. Geralmente os mais puros morrem como moscas,   os 1/2 sangue até  se conseguem sobreviver no ambiente hostil.  Mas quem produz animais 1/2 sangue não é propriamente um produtor de leite:  ele é alguém que não sabe exatamente o que quer, quer produzir leite mas não consegue criar os animais com a alimentação adequada, seja por falta de recursos, medo, ou o mais comum, a preguiça, o irresistível desejo de um negócio simples, sem sofisticações, a herança cultural transmitida pelo seus antepassados. Tudo que eles desejam, é o modelo tradicional, um banquinho, um balde, umas vaquinhas neloradas ou tatu com cobra, como são conhecidas, que não produzem nem  leite nem carne, mas sobrevivem comendo ervas daninhas e um pouco de sal boiadeiro com ureia na seca, e na chuva, que beleza, produzem um balde cheio, com espuma, comendo capim andropogon, grama boiadeiro e até mesmo um pouco de brachiara. O reprodutor normalmente é  um nelore, um cruzado sem raça definida ou até mesmo um Gir orelhudo. Mas tudo muda lentamente, e alguns pequenos produtores, já usam inseminação artificial e até mesmo IATF.
Uma vaca 1/2 sangue pode até dar muito leite, mas também muito coice e sustos. E precisa do bezerro para dar o leitinho, mas como isto não se usa mais, o produtor descobriu uma mágica eficaz, a injeção de ocitocina na veia, que faz o leite descer na hora e a vaca saltar e sumir no pasto na primeira tentativa. mas ela acaba se acostumando com a tortura física e acaba por dar leite em quantidade por uns 4 meses, quando normalmente emprenha. Mas a industria tem solução para quase tudo, para corrigir este período de lactação ridículo, o produtor lança mão do Boostin ou Lactotropin. E ai a coisa muda, as vaquinhas de corte dão leite por 9, 10 meses. Uma beleza. Com o nelorão produzem uns bezerros valiosos, cruzamento industrial. O tal girolando 1/2 sangue cruzado com o nelore, gera um bezerro  bom, um triclós que não é tão bom quanto um 1/2 sangue Nelorando ou uma cruza nelore e Angus, mas dá pro gasto. O coitado é muito maltratado, pois em geral os produtores retiram todo o leite da vaca e deixam os coitados algumas horas com as vacas para mamarem um pouquinho. Um bezerro assim leva um uns 3 a 5 anos para ir para o abate, o que para o bezerro é muito bom, afinal ninguém quer morrer depressa. Já  os bezerros criados em bezerreiros crescem muito bem e são abatidos na metade do tempo.

O 1/2 sangue pode ser usado com o tal gado verde, alegria dos ecologistas, que come capim no verão e na seca se vira com a macega seca rica em celulose, alimento muito bom para cupins. Os produtores mais eficientes confinam o gado na estação da seca.


O produtor de corte brasileiro tem mania de gado Indiano que são animais adaptados a sobrevivência em ambientes de fome generalizada e quase imune aos carrapatos, os mais temíveis inimigos do gado europeu. Dizem que a carne do nelore é especial, mais saborosa. Mas a razão principal eu imagino, é que ela dura mais na mesa, pois é uma carne  musculosa de animais saltitantes que correm alucinadamente nas pastagens sem fim e os convidados ficam mastigando aquela carne de mascar por longas hora enquanto bebericam sua cervejinha ou aguardente. Mas esta é outra história.

Quem quer gado de corte usa o Angus puro ou o cruzamento industrial com o nelore, as demais raças como Bhrama, Senepol e outras bobagens, não servem nem para corte nem para leite, mas são muito úteis para se vender para artistas de tv, cantores sertanejos e outras celebridades do mesmo naipe. Como diz o velho ditado, ninguém perde dinheiro subestimando a inteligencia alheia. 

Alguns produtores usam o GIR, que até dá um leitinho por pouco tempo, muito coice e bezerros peso pluma. Tem alguns que optam pelo Guzerá, imagino que para poderem atender com a matéria prima para a  a industria de berrantes. Outros cortam a cabeça dos animais e penduram como troféus nas paredes de suas casas. Eles têm portentosos chifres. Mas esta também é outra historia.

Mas, perdido neste meio está o velho e bom holandês, que não tem a eficácia do Angus para a produção de carne, mas chega perto. E como Angus não é gado leiteiro, o produtor de leite tem que aproveitar o holandês fêmea para produção de leite e o macho para corte e ele ganha do nelore mas perde do Angus em produção de carne. Mas requer tratamento especial e gera muito mais custos que o saltitante indiano. Mas as coisas mudam.

Dieta de grão inteiro para engorda de bezerros 

A dieta de grão inteiro ( por exemplo milho) é relativamente nova no Brasil e poucos produtores se aventuram nesta técnica ou mesmo a conhecem mas, nos EUA é uma tecnologia em uso desde a época do dilúvio.

Todos sabemos que a energia é fundamental no processo de engorda de um bovino. E o milho é campeão em matéria de energia. Então porque não alimentar os bovinos com milho inteiro e um complemento proteico, vitamínico, mineral e tamponante? Existem núcleos no mercado com esta finalidade e normalmente se usa de 10 a 15% de núcleo e o restante milho inteiro. O tamponante é fundamental pois uma dieta rica ou 100% de concentrado, leva uma queda do PH ruminal e pode produzir abcessos no figado, acidose e até mesmo a morte do animal. Portanto nada de alimentar os bovinos como galinha, na base do ti ti ti ti. A alimentação carece de um período de adaptação, e deve ser servida 3 vezes por dia. Existem tabelas que você deve seguir rigorosamente, sempre orientado por um profissional competente. Os fornecedores de núcleo possuem técnicos que lhe darão toda cobertura necessária.

Não vou entrar em detalhes técnicos pois cada fazenda tem suas peculiaridades e um tipo de gado específico e um monte de ideias do que é o certo. Normalmente neste caso o certo é sempre o errado.

Na Fazenda Veredas no momento o projeto de 4 fases está com 2 delas em testes piloto com 100% de sucesso. A engorda de bezerros e a engorda de vacas descarte. Os outros dois são muito mais arriscados e não encontro literatura sobre o assunto. Vai ser na base do feeling, da intuição e os profissionais da área pouco poderão ajudar. Se der errado serão meus animais que vão pro brejo. Se der certo prometo escrever sobre o assunto. 

Motivadores da dieta 100% grão inteiro

1- redução de mão de obra
2 - redução ou mesmo o fim da produção de volumosos (cana, silagem milho, etc)
3 - economia de maquinário e redução dos custos de combustível e manutenção dos mesmos;
4 - Maior conversão alimentar e maior ganho de peso 
5 - Dificuldades crescente de se encontrar mão de obra
6 - Permitir a uma vaca de corte, a desmama precoce e sua recuperação rápida para que possa parir um bezerros por ano em boas condições corporais. 

É inconcebível uma vaca ficar uns 9 meses com um bezerrão a tiracolo.  O gado de leite já é comum a desmama precoce e quem não faz é porque tem terra sobrando e doido da cabeça pois terra é um bem precioso demais para se criar gadim a pasto. Terra é para agricultura, a não ser claro, aquelas improprias mas, é comum a gente ver fazendas imensas, totalmente planas,  com um boizinho por hectare. Isso é caso de polícia.

Criando os Bezerrinhos Holandeses ou Nelore ou qualquer coisa , menos Jersey claro, pois  neste caso o produtor deve ser colocado em camisa de força e conduzido ao sanatório mais próximo.

Bezerro de gado de leite
Bem, quanto ao holandês macho ele deve ser levado direto ao bezerreiro após mamar o colostro direto na vaca. Se o bezerro foi ganho ou adquirido, reze para ele ter mamado o colostro,  do contrário vai ser uma luta fazer com que ele sobreviva ao ambiente hostil.

Ele deve ser conduzido direto ao bezerreiro. As bezerras devem ser criadas em bezerreiros do tipo argentino. Nada de casinhas. Deixe isto para os cachorros, mas nem eles gostam. Ah, as bezerras não devem receber dieta 100% grão inteiro, pois acumulam gordura gordura no ubere reduzindo a produção de leite no futuro. Para elas use a dieta convencional.

Como bezerros machos o que importa é a quantidade, pois serão vendidos a preço de arroba e não a preço de ouro como as novilhas holandesas, eles devem ser criados em dois espaços distintos nos dois meses iniciais. No primeiro mês criados soltos na área um com sistemas de aleitamento automático ou semi-automáticos e que permitam a maior quantidade possível de bezerros. O espaço deve ser coberto por grama tifton.  Recebem concentrado a vontade. Com 1 mês passam para a segunda área com estrutura semelhante, para permitir a entrada dos novos bezerrinhos na primeira área. Com 2 meses e já comendo 1 Kg de ração / dia passam para a área de dieta de grão inteiro onde permanecerão até os 10 ou 12 meses. Recebem milho inteiro e núcleo da Comigo de Rio Verde, GO. No modelo da Fazenda Veredas, fizemos uma pequena modificação manuais técnicos sobre dieta 100% de concentrado (grão inteiro) e eles ingerem um pouco de volumoso (capim) por razões digamos, estratégicas. A dieta é um pouco diferente do que se encontra em diversos materiais na internet mas, as outras funcionam muito bem também. O custo ´mensal por animal é de R$ 58,00 por animal e eles ganham acima de 1 arroba / mês podendo chegar até 2 arrobas. Quanto mais frio o clima mais ganho de peso. No Mato Grosso este custo cai para R$ 36,00 animal / mês. Eventuais substitutos do milho podem ser usados, como polpa cítrica, casquinha de soja, caroço de algodão, e outros. Cada um deles tem suas vantagens e desvantagens, mas nada é igual ao milho e nem tem preço como o milho. Fuja destas coisas esquisitas que não servem para nada como sorgo em grão e milheto. Use dente de alho, água benta e chame o Van Helsing.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Venda de Animais na Pecuária Leiteira

A produção de leite em si, como negócio, possui uma rentabilidade reduzida e você deve sempre buscar o break even, o ponto de equilíbrio no qual as receitas permitam cobrir todos seus custos, provisionamentos de gastos futuros e seus gastos pessoais. Seja cauteloso. Caso você tenha outro negócio ou fonte de renda, sua flexibilidade é maior e você pode acelerar certos investimentos.

Quer dizer que nunca vai sobrar um dinheirinho para investir ou gastar em Las Vegas,  o amigo leitor deve estar questionando. Sim, desde que você diversifique seu negócio. E há muitas possibilidades que lhe permitem uma receita extra mas, hoje, vamos focar na criação de animais para a venda.

Podemos investir na venda de animais adultos, novilhas ou mesmo bezerras. A venda pode se dar em leilões ou diretamente na fazenda, que é a minha modalidade favorita, pois praticamente não tem riscos, uma vez que a maioria das vendas são a vista.

Os leilões são atraentes mas ainda pecam nas garantias que oferecem aos vendedores. A criação de um seguro contra os tradicionais caloteiros tornaria os leilões mais atraentes. Menos rentáveis com certeza, mas e daí, elimina-se o medo e os dissabores que assustam e afastam muito potenciais  vendedores de leilões.

E como em todo negócio, existem os leilões sérios e os festivos que chegam ao extremo de serem surreais, no qual um grupo de produtores unidos num cartel,  dão lances nos animais, levando-os a atingir preços estratosféricos, em compras e vendas de fantasia.  Neste momento o leilão todo entra num frenesi, com as pisteiras gritando estericamente e a musica ambiente em surround aumenta e contamina todo recinto parecendo uma sessão de guerra nas estrelas. É ai que algum comprador inocente, não resistindo a um impulso de sua própria vaidade, dá um lace, o único lance verdadeiro e arremata por R$ 40 mil reais uma vaca que não custa mais que R$ 4 mil reais. É aplaudido de pé por todos no leilão como se fosse uma celebridade. E assim mais um empreendimento recebe sua primeira e última pá de cal.

Produzir leite é uma atividade que, se você não for do tipo meio desligado, o stress é permanente. Estou há 1.000 km de casa e meu funcionário responsável, me ligou há pouco dizendo: a bomba automática de enviar o leite para os tanques não quer funcionar, nem no manual, estamos parados. Ligo para o técnico da manutenção que me atende em pleno domingo, e coloco-o em contato direto com meu funcionário. Minutos depois eu ligo na fazenda e conseguiram um modo de enviar o leite da sala de ordenha pra a sala do tanque. Resolvido provisoriamente até a visita do técnico amanha. Neste momento é que você precisa dos melhores funcionários e dos melhores técnicos de manutenção mas isto custa caro.
Às vezes tenho vontade de me concentrar apenas na venda de animais mas alguns fantasmas me impedem. O primeiro deles é o custo mensal da criação dos animais, composto por alimentação, inseminação artificial, IATF, veterinário, remédios e vacinas e mão de obra, embora reduzida quando comparada a necessária para a produção de leite.

O outro medo são as transformações que estão ocorrendo no mercado, com uma grande parcela dos produtores deixando a atividade, o que reduz e muito o potencial de  clientes para compra de animais. Os grandes produtores produzem seus próprios animais e o outro segmento que vai restar é composto pelos produtores familiares, que em geram preferem animais mais rústicos e de valor reduzido.

É claro que sempre aparecerá um ou outro médio produtor ingressando na atividade mas, a maioria deles não resistem por mais de 2 a 3 anos. Produzir leite não é uma atividade que tolera muitos erros.

Se não pretende produzir leite e sim animais bons de leite, aquilo que eles chamam, não sei por que, de animais de elite, que nada mais é que uma vaca boa de leite e com características que lhe permitam uma vida produtiva, fértil e sã por muito tempo. 

Por muito tempo entenda-se umas 3 ou 4 lactações pois depois disto melhor demitir a tal vaca de elite e vendê-la por um preço justo, para um frigorífico ou para alguém disposto a correr o risco com um animal já bastante rodado.

FIV , TE e IATF.

Se você planeja vender animais de qualidade sugiro que  utilize as técnicas de FIV ou TE para gerar as bezerrinhas. A transferência de embrião ou TE é uma técnica mais antiga e feita na própria fazenda. A fêmea é estimulada através de hormônios a produzir vários gametas femininos e após a manifestação do cio, a vaca é inseminada com o semem do touro mais apropriado no sentido de se corrigir as imperfeições da mãe em diferentes quesitos, como ubere, pernas, profundidade, etc. Sete dias após a inseminação, é feita a coleta dos embriões através de lavagem uterina. Os embriões são então selecionados e transferidos para as receptoras, normalmente vacas neloradas, as chamadas barriga de aluguel, que irão criar as bezerras com o seu leitinho. 

Já a técnica FIV ( Fertilização "in vitro"),  os gametas, coletados diretamente dos  ovários das doadoras,  são enviados ao laboratório, onde são maturados e fecundados com espermatozóides selecionados. Aqui se usa sempre semem sexado pois basta uma pequena quantidade de  sêmen  para a fecundação de um grande número de oócitos. Depois os embriões são implantados nas receptoras. Como receptoras pode-se usar vacas neloradas ou novilhas leiteiras. A técnica TE é menos apropriada para o uso de sémem sexado e mais adequada para quem também é focado em produzir leite. 

IATF é o que se chama de Inseminação por tempo fixo. É o processo no qual você induz um grupo de animais, mediante o uso de determinados hormônios, a ciclarem num determinado dia, no qual você irá inseminá-los todos de uma vez só. Isto permite, programar a parição de seus animais, para que você sempre tenha vacas recém paridas na sala de ordenha,  mantendo estável a produção de leite. É o mais simples dos procedimentos e o mais barato.

Mas afinal quanto custa produzir uma novilha de leite?

Mês Preço
  Bezerra
   1,00      76,05
   2,00     129,49
   3,00     186,70
   4,00     232,82
   8,00     442,33
 10,00     552,42
 12,00     665,52
 14,00     782,08
 16,00     857,85
 18,00     892,83
 20,00     931,81
 22,00     974,13
 24,00  1.019,46
 30,00  1.161,75

Acima está a tabela com o custo de alimentação mês a mês de uma bezerra desde o primeiro mês até sua parição aos 24 meses. Como volumoso, foi utilizado cana de açúcar e capim, mais 2 Kg de ração dia  e 1 Kg de polpa cítrica como concentrado. Se você é daqueles que gosta de dar do bom e do melhor, silagem de milho, dobre o custo da novilha. Não me atrevo a dar silagem para às novilhas. Já disse para meus funcionários, se eu autorizar isto, chamem um psiquiatra urgentemente.

Deve ser somado custo pequenos de vacinação e remédios e o custo do semem varia dependendo da qualidade do touro a ser usado. Mas existem bons touros com semem convencional na faixa de R$ 30 reais, geralmente em promoções. O custo com remédios e vacinas também difilmente ultrapassa R$ 30,00 e se ultrapassar trata-se de um animal condenado.

Se você usa Inseminação artificial ou mesmo IATF, pode-se considerar um custo adicional de R$ 100 por bezerra.

Quanto a FIV, um preço seguro é em torno de R$ 500,00 pela prenhez.

Resumindo, uma novilha não custa mais que R$ 1.500,00 ao produtor se parir aos 24 meses  (que é o ideal) e em torno de R$ 1.650 se parir aos 30 meses. 

A mão de obra deve ser desconsiderada nos custos, pois os funcionários que cuidam das bezerras e novilhas são os que fazem a ordenha ou os que cuidam do trato dos animais. Portanto já é um custo existente e não deve ser duplicado, a não ser, é claro, que você não produza leite ou tenha funcionários dedicados apenas a criação dos animais.

Não é difícil vender um animal assim por R$ 3.500,00 a vista, se estiver chegadinha para parir. Not bad. Se o animal for excepcional pode-se chegar aos R$ 5.000,00.

E as bezerras?

Não é muito difícil vender uma bezerra recém desmamada na faixa de R$ 1.000 a vista. Bezerras maiores, com 12 meses, o mercado paga R$ 2.000 a R$ 2.500 e é uma alternativa para se fazer caixa, nos tempos difíceis.

E as Vacas?

Interessante que no Brasil existam compradores para vacas. Caro amigo, compre novilhas, nunca coloque seu suado dinheirinho numa vaca, pois elas são caixas pretas, passíveis de portar vírus, bactérias e outros micro organismos que provavelmente não existem em seu rebanho. Mas se você precisa se desfazer de algumas vacas acima de 2 crias, melhor enviá-las para um leilão e correr o risco, pois não dá para vender um animal já usado, a vista. Vacas produtivas se desgastam rapidamente e têm uma vida útil de 3 ou 4 crias. Depois disto, começam a apresentar problemas reprodutivos, mastites mais frequentes e queda na produção.

Seja Ético

Dias atrás,  vendi algumas novilhas e  vacas de primeira cria para um produtor de uma cidade vizinha. Ele estava acompanhado por um zootecnista com um faro muito bom para escolher os melhores animais. Mas num dado momento eles questionaram sobre um belo animal. Eu disse logo, este não pois já abortou uma vez. E de fato, uma semana depois a vaca abortou novamente. Na hora de vender, venda o que você possui de melhor, pois empurrar animais duvidosos  num cliente significa um cliente a menos que você terá.



sábado, 28 de setembro de 2013

Mastite Bovina: Mitos e Verdades - Cap. 11

Para um produtor ter sucesso na pecuária de leite ele precisa ter o Know How ou o conhecimento em cinco áreas muito específicas que são os pilares que sustentam a atividade. A deficiência em qualquer um deles, mais cedo ou mais tarde, irá obrigar o produtor a abandonar o negócio. Neste momento o produtor se abraça numa série de motivos  com os quais ele tentará justificar o seu fracasso, que listo a seguir:

  1. Falta de apoio do governo; 
  2. O dolar caiu; 
  3. O dolar subiu;
  4. Alto custo da mão de obra e dos insumos;
  5. Exagero de importações de leite;
  6. Baixo preço do leite. 
Se necessário também, o produtor pode ainda recorrer aos motivos exotéricos, como:

  1. Mal olhado;
  2. Olho gordo;
  3. Praga de sogra;
  4. Urucubacas;
  5. Encostos;
  6.  e outras bobagens do mesmo naipe.  
Mas as verdade é que, em geral o fracasso depende fundamentalmente destes pilares, do trabalho incessante e de um eficaz gerenciamento financeiro.

Pilares da Atividade Leiteira
  1. Produtividade (conseguir a máxima produção por animal com o menor custo);
  2. Alimentação (Prover uma alimentação balanceada e de qualidade com o menor custo possível  para manter o rebanho saudável e com alta produção);
  3. Criação de Bezerras (Não perder uma única bezerra sequer e fazê-las parirem com 24 meses com tamanho e peso adequados);
  4. Reprodução (fazer com que as vacas produzam um bezerro por ano);
  5. Controle da Mastite Bovina (Assunto deste artigo)

Os três primeiros fundamentos da atividade leiteira, Produtividade, Alimentação e Criação de Bezerras são mais simples e podem ser dominados sem muito esforço pelo produtor. Reprodução e Controle da Mastite são mais complexos e requerem estudos, persistência e análise minuciosa de todos seus componentes. Mas vamos nos concentrar na mastite e deixemos a reprodução para outros artigo.

A seguir descrevo os conceitos básicos de Mastite, tomando as definições de gente muito mais qualificada do que eu, para depois apresentar o que fizemos na Fazenda Veredas sobre o assunto e que funcionou. Estas definições (em itálico) encontrei no BOLETIM TÉCNICO MASTITE BOVINA: CONTROLE E PREVENÇÃO de SORHAIA MORANDI COSER, MARCOS AURÉLIO LOPES, GERALDO MÁRCIO DA COSTA da UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS DEPARTAMENTO DE MEDICINA VETERINÁRIA, que é um guia muito bom sobre o assunto. 

Existem duas formas de apresentação, que se denominam mastite clínica, quando as alterações são visíveis macroscopicamente e mastite subclínica, quando as alterações não são visíveis a olho nu (Fonseca & Santos, 2000; Dias, 2007).

Mastite clínica

“A mastite clínica caracteriza-se pelo aparecimento de edemas,aumento de temperatura, endurecimento e dor na glândula mamária ou aparecimento de grumos, pus ou quaisquer alterações das características do leite” (Fonseca & Santos, 2001, p.27).

Mastite subclínica
Por não apresentar sinais visíveis e passar despercebida pelos proprietários e pelos empregados, a mastite subclínica pode alastrar-se no rebanho, infectando outras vacas. Além disso, pode ocorrer destruição da capacidade funcional da glândula mamária, causando diminuição da produção leiteira e prejuízos à saúde do animal (Dias, 2007).

Um dos grandes problemas da mastite no rebanho é a sua prevalência silenciosa, ou seja, subclínica, determinando perdas de até 70%, enquanto 30% devem-se à mastite clínica (Santos, 2001).

O que é CCS?

Quando a glândula mamária é colonizada por algum agente patogênico, o organismo do animal reage, mandando para o local células de defesa, principalmente leucócitos, na tentativa de reverter o processo infeccioso. Essas células de defesa, somadas às células de descamação do epitélio secretor de leite nos alvéolos, são chamadas células somáticas do leite ou CCS. Portanto, quando há presença de um microrganismo patogênico na glândula mamária, geralmente, a contagem de células somáticas apresenta-se elevada, e esse aumento é a principal característica da mastite subclínica (Chapaval & Piekarski, 2000).


A CCS  quando realizada em uma amostra do leite do tanque, permite que tenhamos uma medida da quantidade de animais infectados em nosso rebanho e consequentemente da perda de produção ou seja, o tamanho de nosso prejuízo.
Pode-se dizer que uma vaca com CCS de 50 a 100 mil  está muito bem. Pelas normas atuais, até 250 mil de CCS, o produtor recebe a remuneração máxima pelo seu leitinho.


Tabela 1. Perdas na Produção de Leite e animais infectados com diferentes CSS medida no Tanque de Leite.

CCS no leite do tanque (x1.000/ml)
Estimativa da gravidade da mastite
Redução na produção (%)
% de animais infectados
< 250
Pouca ou nenhuma
Irrelevante
6
250 – 500
Média
4
26
500 – 750
Acima da média
7

± 42
750 - 1.000
Ruim
15
1.000
Muito ruim
18
±54


Fonte: adaptação de vários autores.

As Mastites são classificadas em dois grupos: Contagiosa e Ambiental.

Mastite Contagiosa
A Mastite Contagiosa é aquela que é provocada por microrganismos que são adaptados para viverem dentro do hospedeiro, ou seja, dentro da vaca. Uma alta CCS no tanque de leite significa que seu rebanho está infestado por microrganismos do tipo contagioso. E eles são disseminados principalmente durante a ordenha,  através das mãos dos ordenhadores, de tetos infectados para outros, por meio do equipamento da ordenha, bezerros, papeis toalha mal utilizados e pelas moscas.
Os principais agentes etiológicos incluídos nesse grupo são Streptococcus agalactiae, Staphylococcus aureus e Corynebacterium bovis (Langoni, 2000).
Cada um deles tem uma habita uma área específica. O S. Agalactiae (que é de fácil tratamento) habita o interior da glândula mamaria, o S. Aereus (difícil tratamento) que é facilmente disseminado porque se espalha dentro da canal do teto, interior da glândula mamária, pele do teto, principalmente quando lesada, e o que é pior, nas mãos do ordenhador, que se não desinfetadas regularmente, vão passando o S. aeurus de vaca em vaca durante a ordenha.  O Coryne (difícil tratamento) se localiza dentro da glândula e dos ductos dos tectos.

Mastite ambiental

Segundo Bradley (2002), os patógenos ambientais, descritos como invasores oportunistas da glândula mamária, não estão adaptados à sobrevivência no hospedeiro e, por isso, normalmente, desencadeiam infecções clínicas.
Segundo Bressan (2000), o grupo de patógenos desse tipo de mastite é constituído de bactérias que estão presentes em várias fontes do ambiente da fazenda como água contaminada, fezes, solo e diversos materiais orgânicos usados como cama, animal propriamente dito, os equipamentos de ordenha e o homem.
Os principais patógenos desse grupo são bactérias gram-negativas e espécies de Streptococcus que não S. agalactiae. As bactérias gram-negativas mais comumente associadas às mastites bovinas são os coliformes: Escherichia coli (nas fezes), Klebsiella (vegetais e derivados da madeira, tais como pó-de-serra e cepilho) e Enterobacter. Os Streptococcus do ambiente incluem diversas espécies, tais como Streptococcus uberis e Streptococcus dysgalactiae (Bressan, 2000; Fonseca & Santos, 2001).
De acordo com Santos (2001), a mastite ambiental caracteriza-se por uma maior proporção de mastite clínica em relação à subclínica, quando comparada com a mastite contagiosa. Geralmente, determina casos clínicos agudos de evolução rápida, com maior concentração no pós-parto e maior taxa de infecção durante os períodos chuvosos. O autor comenta que a transmissão dos microrganismos patogênicos na mastite ambiental se faz diretamente do ambiente para o interior da glândula mamária, ocorrendo, principalmente, entre as ordenhas.

Uma particularidade de destaque na mastite ambiental é que ela geralmente se manifesta em rebanhos bem manejados e com baixa CCS. Isso porque a alta prevalência de mastite subclínica e a alta CCS dos rebanhos com problemas de mastite contagiosa conferem, até certo ponto, uma proteção parcial contra os agentes ambientais. Por isso, cabe salientar que, uma vez iniciado um programa de controle de mastite, este deve ser integral, abrangendo medidas de controle tanto de mastite contagiosa quanto ambiental, pois, quando se adotam rígido manejo e higiene na ordenha, sem adoção de medidas de controle do ambiente (barro, lama, esterco, cama orgânica), pode-se obter queda significativa na CCS, seguida de surtos de mastite clínica aguda causada por patógenos ambientais. (Fonseca & Santos 2001, p.33)

Reduzindo a Mastite Ambiental: Providências

Segundo Campos & Lizieire (1993), deve-se manter um rígido controle higiênico-sanitário ambiental por meio da limpeza do ambiente de repouso das vacas, dos estábulos e da sala de ordenha, evitando o acúmulo de fezes, esterco, água parada ou lama, principalmente nos locais de permanência das vacas; afastar do rebanho vacas com mastite crônica e evitar a entrada no rebanho de animais com alguma infecção (metrites ou feridas abertas) que possam contaminar o chão.

Reduzindo a Mastite Contagiosa: Providências Adotadas Na Fazenda Veredas
  1. A primeira providência é adotar o teste da caneca com fundo preto, que identifica os animais com mastite clínica ou ambiental.
  2. As vacas com mastite clínica ou ambiental devem ser separadas e colocadas no último lote a ser ordenhado, que é o das vacas em tratamento de mastite ou em descarte de leite aguardando o período estipulado pelos antibióticos utilizados. 
  3. Uma vez realizado o teste da caneca, os tetos das vacas devem ser mergulhados numa solução de clorexidina, podendo-se usar o Agrisept ou produto semelhante. 
  4. Não usar iodo (o iodo deve ser reservado para o pós-dip) ou os famigerados produtos que produzem uma espuminha e que são muito econômicos. Se produz espuma é porque tem detergente e podem ter PH não balanceado mas o pior da espuma é que, não há uma uniformidade na aplicação do produto. Partes do teto podem não receber o produto adequadamente e o ordenhador não perceber.
  5. O produto tem que ser líquido, é preciso  ter a garantia que todo o teto será molhado e consequentemente, descontaminado.
  6. Trinta segundos depois de aplicado o produto, os tetos devem ser secos com toalha de papel. De preferência uma para cada teto, mas fique sabendo que seus funcionários nunca farão isto. Conforme-se,  pois eles usarão dois papeis apenas para os quatros tetos, que é muito mais rápido, e relativamente eficiente.
  7. Não espere que seus funcionários usem luvas: elas são incompatíveis, alguns preferem pedir demissão ou cortar cana.
  8. JAMAIS USAR ÁGUA NA LINHA DE ORDENHA. É comum os funcionários terem recaídas e darem uma lavadinha nos tetos das vacas que entram com os peitos muito sujos. Neste caso, mandem os funcionários para o tronco e aplique 10 chibatadas. 
  9. Bactérias nadam e se propagam facilmente em tetos molhados. 
  10. Se os tetos estiverem sujos, com barro, não importa, limpe com papel toalha e depois faça o teste e aplique o Pre-Dip.
  11. Li uns artigos de pesquisadores respeitáveis de escolas famosas no Brasil que recomendam uma lavadinha e uso de hipoclorito de sódio, água sanitária  e outras bobagens. Se algum senhor respeitável te recomendar isto, pegue a espingarda, solte os cachorros e chame a polícia.
  12. O pos-dipping é fundamental. Utilize Iodo 5%, No Drip. Meu preferido é o da Weizur. Um produto  No Drip funciona como um selante para o esfincter, que após a ordenha permanece aberto por algum tempo. E este é o momento mais perigoso para uma vaca contrair uma mastite. Já experimentei o ácido lático, mas por enquanto permaneço fiel ao velho e bom Iodo. 
  13. Regulagem da Ordenha é fundamental: pressão do vácuo acima do normal, pode causar ferimentos no canal do teto, que é uma fonte de infecções.  Pressão abaixo do normal, fará ordenha incompleta deixando leite em excesso que é um terreno fértil para a mastite.
  14. É muito comum os funcionários forçarem a teteiras para baixo para tirar todo o leite da vaca. Já vi casos de se colorarem garrafas pet de 2 litros com água para dar uma mãozinha extra.
  15. Infelizmente, vacas são criaturas que se acostumam facilmente e aquelas que foram habituadas com a pressão extra no final da ordenha, dificilmente liberarão todo leite sem ela. Massagens tem o mesmo efeito. Acondicionam a vaca e reduzem a produtividade na ordenha, demandando tempo  e custos extras. Mas nunca deixe que uma novilha recém parida adquira tais hábitos.
  16. E por falar em novilhas, crie os lotes de novilhas, para mantê-las sem riscos de serem contaminadas pelas vacas do rebanho.
  17. Fazer os testes de CMT ou análises individuais de CCS. Ajuda mas não muito. Se o rebanho estiver contaminado com mastite sub-clínica, fica praticamente impossível separar o joio do trigo, ou seja, vacas com mastite sub-clinica das vacas sadias.

Tratamento da Mastite Clínica
  1. A maioria dos microrganismos são suscetíveis a antibióticos e existe uma variedade imensa de produtos para combate a mastite na forma de pomadas intra-mamárias, mas a maioria não serve para muita coisa, seja por ineficiência do produto ou resistência adquirida pelos microrganismos. 
  2. Um regra geral é que, poderemos tratar uma vaca apenas com pomadas intra-mamárias quando ela não apresenta inchaço, febre ou vermelhidão.
  3. Havendo inchaço, ou outros sintomas, deve-se usar em conjunto, um antibiótico injetável de largo espectro e sempre manter a temperatura do animal sob controle.
  4. Uma atitude sensata é: colher uma amostra do leite tão logo se detecte a mastite, para se fazer um antibiograma se necessário. Mas um antibiograma demora tanto para ser realizado, que quando sai o resultado não serve para muita coisa. Se você esperar pode perder o animal.
  5. Quantos mais animais na ordenha, maior a possibilidade de se criar patógenos resistentes  mesmo aos de última geração e, cuidado, você pode ser seduzido por produtos caros e que prometem milagres. O único milagre que pode acontecer é algum deles funcionar.  Na maioria das vezes, curam pela metade, o que significa que a mastite volta pior ainda.
  6. REGRA BÁSICA: Quando tudo parece perdido e nada parece funcionar, lembre-se da velha e boa terramicina. Mas use apenas a original, que tem descarte de 4 dias. 
  7. NUNCA DESISTA pois uma vaca bem alimentada sempre irá vencer a infecção. Cuide para que ela sobreviva, e fortaleça suas defesas, que ela irá se curar sozinha. 

Homeopatia é Solução?

O Princípio que norteia a homeopatia é muito interessante, que é o de fortalecer as defesas do animal, para que ele possa debelar a infecção sozinho. Infelizmente, testei diversos produtos por dois anos, e não vi melhoras,  que só aconteceram quando adotamos as medidas descritas acima. Elas permitiram uma redução na taxa de CCS para praticamente a  normalidade em menos de três meses, o que 2 anos de uso continuo da homeopatia não possibilitou. Na verdade, o indicador de CCS permaneceu por dois anos o mesmo.  Estamos há quase quatro meses sem homeopatia e até agora tudo está dentro da normalidade e melhorando. Como acontece com esta industria, os produtos são muito caros, penso que em função da penetração reduzida que não permite uma produção em massa. Mas, sem preço, vão continuar com um mercado muito limitado e o que é pior, sem que se saiba se servem para alguma coisa ou não.


Complexos Vitamínicos Resolvem?

Ajudam mas não curam e são demasiadamente caros e não possuem custo benefício. Alimente suas vacas adequadamente, com áreas de sombra e água de qualidade, acho que é o suficiente.

Água

A qualidade da água utilizada na limpeza da ordenha e dos resfriadores de leite é fundamental. Por duas vezes tive problemas com o poço artesiano, numa delas por quase um mês utilizei a água de uma mina da propriedade. Uma mina que nasce e morre na propriedade e cuja água vem canalizada da fonte até a caixa água utilizada para bombeamento para as caixas principais. E em todas ocasiões vi Contagem Bacteriana Total ou CBT aumentar aritmeticamente e casos de mastites mais frequentes. Outros problemas podem ser vistos com as bezerrinha que apresentam índices maiores de diarreias.

Limpeza da Ordenha

Vou comentar rapidamente sobre este item, pois acho que esta é a parte que todos sabem o que fazer:

  1. Terminada a ordenha, o fundamental é fazer o enxague, com água a 45 graus, nem mais nem menos. Aqui na Fazenda Veredas, o enxague é feito até que não haja sinais de leite  na água, o que normalmente acontece com 3 ou 4 ciclos;
  2. Depois, faz-se a limpeza com com o detergente alcalino, com água a temperatura de 72 graus. Tão logo a temperatura da água caia para 45 graus deve-se finalizar o processo com  um enxague que não deixe vestígios do produto na ordenha.
  3. A limpeza com detergente ácido deveria ser diária, mas isto toma um tempo precioso dos funcionários e passamos a fazê-la duas vezes por semana. A limpeza deve ser feita com água na temperatura de 45 graus.
  4. Antes da ordenha é recomendável a limpeza com sanitizante para eliminar as ultimas bactérias, mas ela só tem alguma importância quando você conseguiu reduzir seu CCS para uns 350 mil pois,  para se chegar aos 250 mil você tem que usar todos expedientes possíveis porque as conquistas são nos detalhes.   Se seu CCS está na faixa de 4 dígitos o sanitizante tem pouco significado. Primeiro você tem que trazê-lo para abaixo de 400 mil e para isto acontecer é preciso que você faça uma revolução nos seus procedimentos, que começa com a conscientização dos seus funcionários, através de palestras e da visualização dos resultados das novas rotinas implantadas. Prêmios de resultados são eficazes. Utilizamos nas Veredas premiação por incrementos na média de leite produzido por vaca. Seu funcionário vai entender rapidamente que, reduzir uma CCS de 1 milhão  para 250 mil significa um incremento 20% na média de leite por vaca. 


"não existe nada mais crítico na atividade leiteira do que a ordenha, e a maneira como ela é realizada separa o bom produtor do tirador de leite. Aquele produtor que “não tem tempo”, ou “não acha necessário”, ou ainda “acha muito caro” lavar e sanitizar os equipamentos conforme as recomendações técnicas, DEVE PROCURAR OUTRA ATIVIDADE".Bressan et al. (2000, p.47)