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sábado, 28 de julho de 2012

Causas da Mortalidade Em Bezerras - Capítulo 6

Os especialistas admitem como normal, uma taxa de mortalidade de 5% em bezerras holandesas ou quase,  até o terceiro mês. Segundo as estatísticas dos estudiosos no assunto, esta taxa varia de 3 a 33% no Brasil, mas a verdade é que, as únicas mortes que considero difíceis de se evitar são as que acontecem nos partos difíceis nas madrugadas. As demais podem ser evitadas facilmente.
O primeiro cuidado que devemos tomar, é em relação ao colostro, que deve ser administrado a vontade nas primeiras 6 horas de vida da bezerra, pois é neste intervalo de tempo que  os linfócitos T e outros agentes imunológicos presentes no colostro da mãe  são transferidos via  intestino da bezerra para o seu organismo. Depois das fadadas 6 horas, podemos dizer metaforicamente que,  os portais do intestino  se fecham e o sistema imunológico da bezerra estará irremediavelmente desprotegido e o que geralmente se vê em nestes casos é uma sucessão interminável de doenças que normalmente acabará levando o animal à morte.
Outro aspecto importante é que,  as bezerras ao nascerem, ainda não ativaram seus mecanismos reguladores de temperatura, e perdem calor rapidamente em função de sua grande superfície corporal. Os estudiosos  têm várias teorias, uma delas preconizando que as bezerras sejam levadas para os bezerreiros uma hora após o parto e terem ingerido o colostro. Assim, elas estarão protegidas do stress térmico e da contaminação ambiental,  e por que não, do olho-gordo, mau olhado, praga de mãe e outros perigosos patógenos deste e do outro mundo.
Na Fazenda Veredas, fazemos a assepsia no cordão umbilical com Umbicura, mesmo sabendo que o correto é o  recomendado pelos especialistas,  iodo a 7% mas, as vezes a preguiça é incurável. E como tem funcionado, vamos mantendo este método prático e provavelmente mais caro. Optamos por deixar a bezerra em companhia de sua mãe por três dias, pois acreditamos que  natureza é sempre mais sábia e o instinto da mãe, com certeza irá  proteger a bezerra de uma forma mais eficiente, embora eu as vezes desconfie que o verdadeiro motivo é a mais uma a vez aquela qualidade principal do fagueiro povo de Pindorama: a preguiça.  Depois disto, ela é levada para o bezerreiro.
No bezerreiro, cada bezerra recebe quatro litros de leite por dia, dois pela manhã e dois a tarde. Nos primeiros 20 dias utilize leite (colostro e leite descartado) e depois migre para o leite em pó de soja, bem mais barato. Já criei bezerras com seis litros por dia, dados de uma só vez. Na verdade, você pode criá-las com 8 litros e garanto, as bezerras vão adorar e você irá a falência. Quatro litros ao dia é o suficiente e ração, claro. Pode servir na primeira semana para ela ir se acostumando.  Comece com 100 gramas / dia e vá aumentando até atingir 1 Kg / dia, o que geralmente acontece lá pelos sessenta dias, quando a bezerra deverá estar com 100 Kg e pronta para ser desmamada. O ideal é fornecer feno juntamente com a ração, mas optamos pelo Tifton plantado na área do bezerreiro. 
Existem diversas causas que podem levar uma bezerra a morte, e a principal delas é a conjunção das incompetências dos  funcionários e dos produtores, ampliadas pela preguiça, em  prestar atenção em seus animais e tratá-los da maneira correta.
Estas falhas operacionais impedem o controle adequado dos carrapatos, que transmitem a chamada tristeza parasitária, uma espécie de anemia que associada ao quadro de debilidade e baixa imunidade do animal, traz consigo as malfadadas diarreias que depois evoluem para pneumoenterites, septicemias e morte. Normalmente o produtor fica tratando a diarreia e  nem se dá conta  que tudo começou com um único carrapato. Portanto o controle permanente dos carrapatos é fundamental. 
Outro ponto importante, é  que você precisa ensinar seus funcionários a reconhecer a tristeza mediante o exame dos olhos ou da boca ou vulva da bezerra. A anemia é facilmente reconhecível. Vermelho significa que o animal está sadio ainda, ou não tem tristeza. Rosa ou branco, são prováveis sintomas dela, e é necessário o tratamento imediato. Um animal jovem com ausência de anemia visível  mas presença de carrapatos e recusa em beber leite ou aparência de doente, é preferível   tratar preventivamente. 
As diarreias são inevitáveis, fruto da falta de higiene nos utensílios, no próprio leite e principalmente na água e nos vasilhames de ração e água. Uma limpeza bem feita semanalmente controla bem. O ideal seria uma limpeza geral diária, mas se alguém conseguir isto me avise pois quero aprender. Mas, as diarreias são perfeitamente controláveis com medicamentos como Trigental e nos casos mais graves, o Fortgal , por exemplo. Mesmo se sua origem for um vírus, as bactérias presentes no intestino vão aproveitar a oportunidade e atacar, e estes medicamentos pelo menos irão controlá-las. 
Mortes são raras e se ocorrerem são devido a desidratação, facilmente contornável com soro.
As pneumonias   são raríssimas, mas isto eu acho que depende do meio ambiente de cada fazenda.
Uso apenas ração 24% para as bezerras, pois a proteína é fundamental para uma bezerra  crescer e poder parir aos 24 meses. Os especialistas preconizam ração 18%, mas eu prefiro a 24% pois,  foi só assim que consegui emprenhá-las aos 14 meses. E a ração que utilizo é farelada, que segundo alguns,   levaria meus animais a  crises de pneumonia. Em três anos vi apenas 1 caso cuja sintomática sugeria pneumonia. 


sábado, 7 de julho de 2012

Simulador de Fluxo de Caixa para Fazendas de Leite - Capítulo 5

A pecuária de corte é um negócio de baixo risco e consequentemente de baixa lucratividade. Já a pecuária de leite é um negócio extremamente perigoso, pois o produtor sempre parece estar a um ou dois passos da produção ideal que lhe dará uma margem boa e uma razoável  segurança para enfrentar as tempestades que acometem periodicamente  o setor, pois para o governo, pinga e cerveja são produtos essenciais enquanto o leite é considerado um produto supérfluo e é praticamente desconhecido dos políticos em geral.  
E o caminho mais rápido para o insucesso é não possuir um controle adequado do seu fluxo de caixa mensal, que é somatório dos valores gastos e recebidos na atividade durante um período definido.
Empresas trabalham com mecanismos mais complexos que são as ferramentas de análise de retorno financeiro, mas se você é um produtor rural, não perca seu precioso tempo com estas ferramentas, pois elas podem até lhe dar perspectivas positivas enquanto você está em processo de falência irrecuperável.  Deixe estes brinquedos caros para os profissionais. Eles cuidarão deles com muito carinho tentando enganar seus chefes, sempre com ajuda da estatística, que é a arte de mentir com precisão.
Na figura acima, vocês têm uma ferramenta bastante simples, em excel, que desenvolvi no início da minha atuação na atividade e que me ajuda e às vezes me assusta  muito. Nas fases boas ela me dá a tranquilidade para gastar e geralmente invisto  além do permitido e nas fases ruins, as simulações são sombrias  e me fazem esgotar os últimos estoques de minha criatividade,  para manter o barco a tona, até  a tempestade passar.
Um conselho, não  mostre o simulador a sua mulher pois ela vai ficar repetindo: eu falei, fazenda é um  buraco sem fundo, blá , blá, blá...Pausa, as mulheres são mais realistas e menos sonhadoras e às vezes um pouco de realismo faz bem.
O simulador de Fluxo de Caixa ou Cash Flow, lida com todos os custos variáveis, cujo o principal é o gasto com alimentação. É variável pois depende do numero de vacas e da produção delas. O outro ítem,  são os Custos Fixos, como, por exemplo, os salários dos funcionários, seguros, etc. Eles são mais ou menos constantes ao longo de um período.
O último componente do simulador  são as receitas, da venda do leite e de animais.
O resultado de tudo isto, te dá a noção exata da sua situação e o simulador também te informa quanto litros de leite você teria que produzir para atingir o ponto o seu ponto de  equilíbrio na atividade, o chamado break even ou quanto deveria valer o litro de leite para sua atividade ser lucrativa. 
Nesta planilha não entra os valores dos investimentos em animais, terras e maquinários. Isto só é considerado na planilha de análise de retorno do investimento, que lhe dirá basicamente se era melhor você ter aplicado seu dinheirinho na poupança ou ter entrado na atividade leiteira. 
O Simulador de Fluxo de Caixa tem que ser alimentado pela planilha de controle de prenhez de seus animais, que lhe dirá quantas vacas você terá em lactação mês a mês, e conhecendo a média de cada animal, você poderá fazer uma simulação ao longo do ano, de custos e receitas. Assim, você terá uma noção muito precisa se num determinado mês você precisará comprar animais para aumentar a produção e assim cobrir os custos, ou terá disponibilidade de vender animais para obter um resultado positivo ou aumentar seu lucro.
Isto exige muito trabalho e um controle muito eficiente e uma perfeita noção de todos os custos envolvidos na sua atividade.

A maioria dos produtores não tem a menor noção do que está se passando e frequentemente fracassam. O  simulador por si só não garante que você será bem sucedido na atividade, pois isto depende de uma série de outros fatores. Como minha vó dizia, quem não têm competência não se estabelece e eu adiciono outro fator fundamental: é preciso ter a perfeita noção de timing, saber a hora certa de recuar e vender animais para fazer caixa e identificar o momento propício de avançar. A Atividade Leiteira não é definitivamente um negócio linear, no qual você estabelece metas que serão perseguidas ao longo de um período. Ela é mais parecida como uma batalha, em que não raro táticas de guerrilha são mais eficientes. 

EUCLIDES DA CUNHA escreveu isto para os combatentes de Canudos mas, é válido também para os produtores de leite: “Atravessa a vida entre ciladas, surpresas repentinas de uma natureza incompreensível, e não perde um minuto de tréguas. É o batalhador perenemente combalido e exausto, perenemente audacioso e forte; preparando-se sempre para um recontro que não vence e em que se não deixa vencer.”
Interessados no simulador exibido na figura acima, podem pedir uma cópia no email rogerio.ruffino@gmail.com.
A seguir, duas simulações de resultados de fluxo de caixa:


Exemplo1: Fluxo de Caixa para  60 vacas em lactação e preço de 80 centavos por litro para diferentes médias de lactação por animal. Custos Fixos e Variáveis relacionados na planilha.



Como podemos ver o ponto de equilíbrio se dá quando a média de produção do rebanho atingir 22 litros / dia.

Exemplo 2: Fluxo de Caixa para 60 vacas em lactação e média de lactação de 18 litros / animal para diferentes preços pagos por litro de leite.Custos Fixos e Variáveis relacionados na planilha.


Neste caso nada podemos fazer, mas o preço do leite para um fluxo de caixa positivo para esta média de produção seria de R$ 1,00 por litro.